segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O poeta dos candomblés na Feira de Santana da Bahia


Na Bahia, a capoeira não foi a única prática cultural das populações negras a sofrer repressão policial, o candomblé também passou por essa experiência. Em Feira de Santana, sede do Malungo, a religião dos inquices e orixás já foi muito perseguida pela polícia e membros da elite local. Mas, muitos foram aqueles que partiam em defesa dos candomblés. Este foi o caso do poeta negro Aloísio Resende. O Mestre Bel analisa situações em que este poeta defendia os candomblés contra toda e qualquer forma de agressão e discriminação. Estes casos ocorreram em Feira de Santana, em meados do século XX, histórias que o Malungo gosta de contar. Quem quiser poderá ler o artigo na íntegra no link abaixo:
www.periodicos.ufrn.br/ojs/index.php/mneme/article/view/839/772

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

História Geral da África à disposição de todos!


Nos últimos dias não se fala de outra coisa nos corredores das universidades e das entidades culturais que tem interesse pela História da África e, portanto, da trajetória das populações afro-brasileiras. Não seria diferente, pois o governo brasileiro, através do convênio MEC/UNESCO/UFSCAR, reeditou a Coleção História Geral da África e disponibilizou em versão PDF, para que todos possam ter acesso. O Malungo reconhece e parabeniza esta iniciativa.
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"Em 1964, a UNESCO dava início a uma tarefa sem precedentes: contar a história da África a partir da perspectiva dos próprios africanos. Mostrar ao mundo, por exemplo, que diversas técnicas e tecnologias hoje utilizadas são originárias do continente, bem como provar que a região era constituída por sociedades organizadas, e não por tribos, como se costuma pensar.
Quase 30 anos depois, 350 cientistas coordenados por um comitê formado por 39 especialistas, dois terços deles africanos, completaram o desafio de reconstruir a historiografia africana livre de estereótipos e do olhar estrangeiro. Estavam completas as quase dez mil páginas dos oito volumes da Coleção História Geral da África, editada em inglês, francês e árabe entres as décadas de 1980 e 1990.
Além de apresentar uma visão de dentro do continente, a obra cumpre a função de mostrar à sociedade que a história africana não se resume ao tráfico de escravos e à pobreza. Para disseminar entre a população brasileira esse novo olhar sobre o continente, a UNESCO no Brasil, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), viabilizaram a edição completa em português da Coleção, considerada até hoje a principal obra de referência sobre o assunto.
O objetivo da iniciativa é preencher uma lacuna na formação brasileira a respeito do legado do continente para a própria identidade nacional."

terça-feira, 30 de novembro de 2010

MALUNGOS E A CONSCIÊNCIA NEGRA NO PARÁ


A II Semana da Consciência Negra, realizada entre 18 e 20 de novembro de 2010, no Campus Universitário da UFPA, em Cametá-PA, recebeu o apoio do Malungo Centro de Capoeira Angola para a realização de suas atividades. O treinel Augusto Leal, membro do Malungo e professor daquela instituição, foi um dos membros da comissão organizadora do evento.

Além das discussões referentes à identidade e cultura negra, o Malungo Centro de Capoeira Angola, com apoio do Mestre Bel, ofereceu uma oficina de Capoeira Angola para a comunidade tocantina. Acompanharam o treinel Augusto, dois membros do Malungo de Águas Lindas, e a professora Marzane (Marzane, Maria do Ó e Cassio na foto acima).

A oficina culminou com um pequena roda aberta onde participaram os membros da oficina de capoeira angola e de capoeira regional (ministrada pelo mestrando Paulo Cametá, da Senzala).


Participaram da roda alguns docentes e alunos de história além de membros da comunidade.


No próximo ano o projeto de realização está previsto para ocorrer em uma das comunidades do interior - possivelmente a vila de Joaba - e estender a proposta para as comunidades de remanescentes de quilombos.


domingo, 31 de outubro de 2010

Mestre Bel avalia política cultural em Feira de Santana-BA


Em entrevista sedida ao jornalista Egberto Siqueira, do Blog da Feira, importante veículo da imprença digital baiana, o Mestre Bel, coordenador geral do Malungo, avalia a política cultural em Feira de Santana-BA e faz algumas provocações. Segue na íntegra o texto da entrevista:

“O Pró-Cultura é um paliativo barato”
Em entrevista ao Blog da Feira, o historiador e mestre de capoeira Bel Pires fez duras críticas ao tratamento dado pelo Governo à produção cultural de Feira de Santana. Segundo ele, os grupos artísticos precisam criar as próprias condições de trabalho porque não existe uma política pública na cidade.
“O Pró-Cultura funciona como um paliativo barato e os grupos políticos que dirigem a máquina pública não concebem esse fomento à cultura como obrigação”, destaca. Ainda segundo ele, os artistas acabam fazendo cultura com o dinheiro do bolso. Os benefícios financeiros do Estado ou do Governo Federal ainda acontecem de forma tímida.

“O Espaço Quilombola é uma piada”
Sobre o espaço dado às manifestações culturais afro, como a capoeira, o samba e as entidades carnavalescas, Bel Pires acredita que boa parte vive por conta própria. ‘’O Espaço Quilombola, criado no circuito da Micareta, é uma piada. Nós não temos festivais, não temos concursos, não temos editais, não temos nada. E ainda têm que aguardar aquela migalha da Micareta”, reclama.
Bel Pires afirma que as iniciativas privadas dependem das articulações desses mesmos grupos com seus pares de outras regiões. E o poder público, segundo ele, raramente apóia os poucos eventos do gênero que acontecem em Feira de Santana.

Secretaria de Desenvolvimento Social ignora as manifestações culturais
“Essa Secretaria não entende que o fomento às práticas culturais simbólicas faz parte desse conjunto de bens sociais da comunidade. Se entende, está longe de desenvolver políticas nesse sentido”, frisou.
Para ele, esse tipo de ação somada ao acesso à escola de qualidade, alimentação, emprego e lazer constituem elementos fundamentais para o desenvolvimento social de qualquer cidade.
Bel Pires vê na valorização das manifestações da cultura uma forma do município acolher os indivíduos socialmente. No entanto, a arte acaba sendo excluída das ações e recursos originados da Secretaria de Ação Social do Município.

“Quantos artistas saíram de Feira?”
A lógica de mercado para Bel Pires não tem muito segredo: ao estimular a cultura na cidade, o município também aquece o mercado cultural e, consequentemente, impulsiona a economia local. “Quantos artistas saíram de Feira para tentar viver de sua arte em outros municípios, como na capital, e até mesmo em outros estados e países? Não preciso ir para Salvador para pagar o ingresso de um belo festival. Feira pode me proporcionar isso. Meu consumo seria aqui mesmo”, explica.
o município também poderia colher frutos deste mercado. Para chegar a esta conclusão, Bel Pires cita os encontros de capoeira, que atraem pessoas de vários países para Feira. Esses "turistas" acabam viajando para Salvador, Cachoeira ou para o litoral por falta de atração turística em Feira. “Se não temos política cultural, dificilmente teríamos condições de explorar o nosso potencial turístico, principalmente no que tem chamado de Turismo Cultural. Investir em cultura é também investir na economia local", observa.

“O feirense não está preocupado com os bastidores do evento cultural”
Na última parte da entrevista, Bel Pires fala sobre o comportamento da comunidade. Ele acredita que o feirense ainda desconhece como é feita a produção cultural na cidade. “O feirense se queixa das condições materiais nas quais o evento foi oferecido, o preço do ingresso e até a qualidade do som. Mas não questiona a ausência de artistas locais nos festejos públicos, o valor diferenciado entre artista da grande mídia e os poucos da terra em festas realizadas com o dinheiro público”, pontua.
Para finalizar, Bel Pires pede maior cumplicidade do feirense com os artistas e produtores culturais do município. “Quanto a nós, intelectuais, artistas, pequenos produtores e sonhadores devemos, pelo menos, discutir o problema, o que não está acontecendo ainda efetivamente. A cultura na cidade também é nossa responsabilidade", concluiu.
Fonte: http://www.blogdafeira.com.br/

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"Dia do Professor": uma homenagem ao mestre João Pequeno de Pastinha

O dia 15 de outubro é lembrado todos os anos como o "Dia do Professor". Por mais que entendamos que o "Dia do Professor" é todo dia, pois o seu ofício de formador se aplica no cotidiano, dedicaremos este dia a uma das mais emblemáticas figuras da nossa aprendizagem como agentes culturais: o mestre capoeira! Assim, a homenagem de hoje fica para o saudoso mestre João Pequeno de Pastinha.

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João Pereira dos Santos, o Mestre João Pequeno nasce em 27 de dezembro de 1917, no município de Araci, interior baiano. Logo se muda junto com seus pais para o município de Mata de São João, onde seu pai trabalhava como vaqueiro numa fazenda. João vive boa parte de sua juventude nesse município, e tem o primeiro contato com a capoeira através de Juvêncio, um vaqueiro amigo de seu pai, que havia aprendido capoeira com o lendário Besouro Mangangá, da cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.
Em Mata de S.João, João Pequeno foi agricultor e carvoeiro, residindo e trabalhando nessa cidade até por volta de seus trinta anos de idade.
João muda-se para Salvador, no início da década de 1940, e começa a trabalhar como servente de pedreiro. No ano de 1945, numa roda de capoeira na Praça Dois de Julho, conhece mestre Pastinha - considerado o mais importante mestre de capoeira angola de todos os tempos - que o convida para visitar o espaço onde dava aulas. João Pequeno foi e ficou. Logo recebeu de Pastinha a incumbência de ensinar os alunos novos que iam chegando em sua escola: João Grande, Curió, Moraes, Gildo Alfinete e tantos outros mestres de capoeira angola hoje reconhecidos internacionalmente, passaram pelas suas mãos.
João Pequeno ficou conhecido como o mais importante aluno do mestre Pastinha, e considerado o herdeiro maior dessa tradição que mestre Pastinha aprendeu com o africano Benedito.
Durante o período de agonia e morte do mestre Pastinha, no início da década de oitenta, João Pequeno passa um período afastado da capoeira trabalhando como feirante na Feira de São Joaquim em companhia de sua esposa “Mãezinha”. A capoeira angola passa então por um período de decadência e enfraquecimento, restando apenas alguns poucos resquícios de sua prática em alguns poucos “guetos” de Salvador e no Recôncavo Baiano.
Porém a capoeira angola retoma, sobretudo a partir das duas últimas décadas do século XX, um fôlego e um vigor admiráveis, justamente em função de um processo muito bem articulado por importantes lideranças baianas, no sentido de valorização da consciência negra e da africanidade. Segundo o pesquisador Jair Moura (2003), esse processo iniciou-se na década de oitenta daquele século, e teve um caráter político importante, envolvendo militantes do movimento negro e intelectuais baianos, mas também nele, tiveram um papel fundamental o mestre João Pequeno, quando funda em 1981, o Centro Esportivo de Capoeira Angola Mestre João Pequeno de Pastinha no Forte Santo Antonio além Carmo, e também alguns outros mestres tradicionais da então agonizante capoeira angola, como o mestre João Grande, mestre Curió e mestre Moraes.
A prática da capoeira angola vem crescendo em grande medida, não só em todo o Brasil, como em vários países da Europa e Ásia, sem falar nos EUA, onde reside atualmente, por exemplo o mestre João Grande, que no ano de 1995 foi agraciado com o título de doutor honoris causa pela Universidade de UPSALA, em New Jersey. Nos EUA, em Washington, está também sediada a FICA (Fundação Internacional de Capoeira Angola) presidida pelo mestre brasileiro Cobra Mansa. Grupos brasileiros de capoeira angola mantêm sub-sedes em vários países do mundo como México, Israel, França, Inglaterra, Alemanha, Japão, entre tantos outros. Mestres de capoeira angola do Brasil viajam constantemente para o exterior a fim de ministrar cursos e oficinas, para os quais tem existido um interesse cada vez maior, por parte do público desses países.
A academia do Mestre João Pequeno é uma das mais tradicionais da Bahia, e nela ainda hoje acontecem aulas de capoeira dadas por seus alunos sob sua direção, e uma das rodas de capoeira mais concorridas de Salvador, onde podem ser encontrados visitantes e capoeiristas de todas as partes do mundo, que vem “beber na fonte” a tradição que hoje se espalha por todo o planeta.
O mestre João Pequeno viaja pelo mundo afora, visitando países como a França, Inglaterra, Alemanha, Suécia, Japão, Israel, Estados Unidos, Itália, Espanha, Chile entre outros, levando sua capoeira angola, sua simplicidade e sua sabedoria, encantando a todos que tem o privilégio de compartilhar esses momentos tão ricos ao lado desse fabuloso personagem de nossa cultura popular.
Ele presta depoimento ou é citado em um número muito grande de livros, monografias, dissertações de mestrado, teses de doutorado, etc... cujos autores/pesquisadores a ele recorrem, como fonte privilegiada de informações, por ser João Pequeno parte da memória viva da capoeira na Bahia, no Brasil e no mundo.
João Pequeno foi agraciado em 1998, com o título de Cidadão da Cidade de Salvador, que recebeu da Câmara de Vereadores numa grande homenagem.
Em 2003, o analfabeto João Pequeno recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Uberlândia, e a Comenda Zumbi dos Palmares, do Governo do Estado de Alagoas. No mesmo ano, João Pequeno recebe das mãos do presidente Luis Inácio da Silva, o título de Comendador da República do Brasil.
João Pequeno de Pastinha é hoje o maior símbolo vivo da capoeira, que aos 93 anos de idade, insiste em continuar jogando e ensinando pelo mundo afora, a sua capoeira angola que aprendeu com o mestre Pastinha.


*(Texto extraído do Memorial do mestre João Pequeno, cedido gentilmente por Pedro Abib, aluno do velho mestre)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O "Manifesto da Bahia" - as primeiras polêmicas em torno do Pró-Capoeira

Camaradas,
recebemos o documento abaixo e colocamos à disposição de todos os interessados em discutir a temática neste espaço de informação e reflexão. Segue o texto:

"MANIFESTO DA BAHIA

Nós, mestres, contra-mestres, professores, alunos e pesquisadores da Capoeira da Bahia, reunidos no último dia 22 de setembro de 2010, no Forte da Capoeira na cidade de Salvador, em assembléia amplamente convocada para avaliar questões referentes ao PRÓ-CAPOEIRA, decidimos manifestar publicamente nossa posição, nesse momento que julgamos fundamental para o destino das políticas públicas sobre capoeira no Brasil, a partir dos seguintes pontos:
a) Não temos acordo com a FORMA DE DEFINIÇÃO DOS PARTICIPANTES do Encontro Regional Nordeste, realizado em Recife nos dias 8, 9 e 10 de setembro, pois em NENHUM MOMENTO foram explicitados claramente os critérios de seleção dos consultores responsáveis pela articulação em cada região, nem muito menos os critérios de seleção adotados para a definição dos representantes de cada estado para participarem dos Grupos de Trabalho do referido encontro.
b) Não temos acordo com a FORMA DE DISCUSSÃO estabelecida no encontro de Recife, onde as propostas discutidas em cada GT NÃO PASSARAM PELA APROVAÇÃO DA PLENÁRIA FINAL, causando muito desconforto entre os participantes, que não se sentiram contemplados com muitas das propostas apresentadas pelos GTs
Manifestamo-nos firmemente CONTRA algumas propostas apresentadas pelos Grupos de Trabalho, que não refletem o pensamento da comunidade da capoeira como um todo, mas APENAS UMA PARCELA dessa comunidade, no que diz respeito a:

1. Formalização de um modelo oficial da capoeira como ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO, visando a sua inclusão nas Olimpíadas. Vale observar que não nos opomos a quem queira conduzir a capoeira como esporte. Nosso posicionamento é contrário a FORMALIZAÇÃO LEGAL E OFICIAL da capoeira como esporte olímpico, o que naturalmente negaria a diversidade de suas práticas.
2. Regulamentação da profissão a partir da LÓGICA DO MERCADO, engessando a capoeira num modelo pré-estabelecido e submetendo toda a comunidade de mestres e professores a um Conselho Federal que será o responsável por determinar quem pode e quem não pode exercer essas funções
3. Submeter a formação do capoeirista ao ensino universitário como obrigatoriedade, QUEBRANDO ASSIM AS FORMAS TRADICIONAIS de transmissão desses saberes, onde o mestre tem papel central.

Diante do exposto, EXIGIMOS que o processo de discussão encaminhado pelo PRÓ-CAPOEIRA, seja mais DEMOCRÁTICO, possibilitando que a DIVERSIDADE de opiniões e visões sobre capoeira possam se fazer representar.
Exigimos também que os CRITÉRIOS DE DEFINIÇÃO DOS REPRESENTANTES dos estados possam ser explícitos, e que possam garantir que as discussões nos GTs e plenárias sejam qualificadas com a presença de mestres, professores e pesquisadores que possam contribuir de forma efetiva na elaboração das propostas, tanto nos ENCONTROS REGIONAIS, como na PLENÁRIA FINAL, marcada para a Bahia no próximo ano.


Salvador, 22 de setembro de 2010".

Considerando que já havíamos refletido sobre a temática em nosso livro CAPOEIRA, IDENTIDADE E GÊNERO (P. 54-55), declaramos que o Malungo Centro de Capoeira Angola apoia este movimento!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Pró-Capoeira e a “Política da Capoeiragem”

Nos últimos dias 08, 09 e 10 ocorreu na cidade de Recife-PE, como já foi informado aqui no jornal do Malungo, o primeiro Encontro do Pró-Capoeira, Grupo de Trabalho organizado pelo IPHAN para discutir com a sociedade civil as políticas públicas de fomento para a capoeira, patrimônio da cultura imaterial do Brasil. O Mestre Bel representou o Malungo nos debates e proposições que tiveram lugar neste evento o que deverá ocorrer também por outros membros do Malungo (Augusto Leal ou Edimar) no Segundo Encontro que irá ocorrer em Brasília no final do mês. Algumas das proposições que o Malungo defendeu giraram em torno de critérios coerentes para reconhecimento do mestre capoeira como portador de notório saber, pelo Ministério da Educação. O Mestre Bel defendeu ainda a importância da criação do Centro Nacional de Referência da Capoeira, o qual faz parte do plano de salvaguarda proposto pelo IPHAN. O Malungo se colocou à disposição para colaborar com a implementação do Centro de Referência, por conta da necessidade de pesquisadores neste projeto. O Mestre Bel e o Treinel Augusto Leal são especialistas em História da Capoeira, com doutoramento em Estudos Étnicos e Africanos, o que se constitui uma interessante colaboração para o processo de implementação da política de salvaguarda da capoeira. Nesse sentido, o Malungo se coloca à disposição do IPHAN e da capoeira no Brasil.
Axé à comunidade da capoeira!

O Mestre Bel entre o Mestre Itapoã e Mestre Camisa Rôxa, participantes do Evento

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

II SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA DO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS

Tema: Identidade e Resistência Negra na Amazônia Tocantina

De 18 a 20 de novembro de 2010

APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA
A Semana da Consciência Negra é uma atividade de mobilização social que ocorre em todo o Brasil com o objetivo de discutir os diversos aspectos relacionados à presença negra no país. O destaque maior, em relação ao período do evento, é a celebração do dia 20 de novembro, referente à morte do líder negro Zumbi, que passou a ser símbolo da luta contra a escravidão e do combate ao racismo que resultou das sociedades escravocratas. Em torno do 20 novembro de 2009, o Campus de Cametá, por meio da iniciativa promovida por alguns professores da Faculdade de História, realizou a I Semana da Consciência Negra com a exibição de filmes e palestras direcionadas aos educadores, estudantes e comunidade cametaense em geral. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Educação de Cametá solicitou que o evento permitisse a inclusão da programação que a mesma desenvolvia naquele contexto. O resultado foi a ampliação das atividades do espaço universitário para a praça central da cidade. Os trabalhos foram encerrados com diversas apresentações culturais e com expressiva participação popular.
Este ano, a II Semana da Consciência Negra – Identidade e Resistência Negra na Amazônia Tocantina – consistirá em um evento de extensão acadêmica que congregará a participação de grupos de cultura afro-brasileira e Associações de Remanescentes de Quilombolas da região. Em sua programação constam palestras, mesas-redondas, conferências e grupos de trabalho temáticos. Paralelamente, visando a valorização das práticas e saberes afro-amazônicos, ocorrerão oficinas de samba do cacete, banguê, capoeira angola, capoeira regional e outras práticas relativas à identidade negra.
Os principais objetivos da II Semana da Consciência Negra são:
1. Promover a integração entre os movimentos sociais, comunidade acadêmica, remanescentes de quilombos, praticantes de cultura afro-brasileira e comunidade em geral.
2. Realizar o combate ao racismo por meio de atividades teórico-práticas partilhadas entre a comunidade acadêmica e os representantes das manifestações afro-brasileiras.
3. Discutir a viabilidade de ações afirmativas para as populações negras na Amazônia Tocantina.

COMISSÃO ORGANIZADORA
Prof. Luiz Augusto Pinheiro Leal
Profa. Benedita Celeste de Moraes Pinto
Prof. Gilmar Pereira da Silva

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES
As inscrições podem ser realizadas na
Faculdade de História do Campus Universitário de Cametá-UFPA
Trv. Padre Antônio Franco, n.º 2617, bairro da Matinha, Cametá-PA
Tel. (91) 3781-1182/1258
Horários: das 8h às 12h e das 16h às 20h
Blog: www.historiaemcampo.blogspot.com



PROGRAMAÇÃO

18/11/2010 (Quinta-feira)
8h às 12h – Credenciamento
14h às 18h – Amostra de filmes
18h às 19h – Abertura do evento: Prof. Dr. Gilmar Pereira da Silva; Prof. MSc. Doriedson Rodrigues; Prof. MSc. Francivaldo Nunes; Prof. MSc. Luiz Augusto Pinheiro Leal e convidados
19h às 21h – Conferência de abertura: Cosmogonias e traduções religiosas: as confissões dos africanos presos pela Inquisição Portuguesa
Conferencista: Profa. Dra. Vanicleia Silva Santos (UFMG)

19/11/2010 (Sexta-feira)
8h às 12h – Oficinas
14h às 16h – Mesa-Redonda: Educação e Cultura Afro-Tocantina
PALESTRANTES: Prof. Dr. Josivaldo Pires Oliveira (UFBA); Prof. Dr. Gilmar Pereira da Silva (UFPA); Profa. MSc. Maria Joana Pompeu Amorim ; Prof. MSc. Dedival Brandão da Silva (UFPA)
19h às 21h – Grupos de Trabalho

20/11/2010 (Sábado)
8h às 12h – Oficinas
14h às 18h – Mesa-Redonda: Quilombolas do Tocantins: Agro-Ecologia, Cultura e Territorialidade
Palestrantes: Profa. MSc. Marzane Pinto de Souza (IFPA); Prof. Wilson Pereira Costa (UFPA); Prof. Dr. Afonso Sagramento (UFPA); Profa. Dra. Benedita Celeste de M. Pinto (UFPA); Professores convidados (Cametá, Abaetetuba ou Bragança)
19h às 21h – Conferência de Encerramento: Sincretismo e resistência: faces da identidade negra amazônica
Conferencista: Profa. MSc. Anaíza Vergolino (IRFP-CNBB/Norte II; UFPA)

GRUPOS DE TRABALHO E OFICINAS
GT História e Culturas Afro-brasileiras (Coordenação: Profa. Dra. Vanicleia Silva Santos (UFMG)
GT Literatura e Racismo (Coordenação Prof. MSc. Doriedson Rodrigues)
GT Educação e Relações Raciais (Coordenação Profa. MSc. Valdete Leal
Oficina Capoeira Angola (Mestre Bel – Malungo Centro de Capoeira Angola)
Oficina Capoeira Regional (Mestrando Paulo Cametá – Associação de Capoeira Senzala)
Oficina Samba de Cacete e Banguê (Profa. MSc. Maria Joana Pompeu Amorim)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Malungo participará do Encontro Nordeste Pró-Capoeira/IPHAN

Nos próximos dias 8, 9 e 10 de setembro irá ocorrer na cidade de Recife-PE, o Encontro Nordeste Pró-Capoeira. Este evento, organizado pelo IPHAN, terá vários eixos de debates, entre os quais: Capoeira, Identidade e Diversidade. O Malungo Centro de Capoeira Angola irá colaborar com os debates neste Eixo temático através da participação de seu coordenador geral, o Mestre Bel.
Aguardemos os resultados desta importante Reunião!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pró-Capoeira - O Encontro Nordeste

O Encontro Nordeste do Pró-Capoeira (IPHAN) irá ocorrer nos dias 08, 09 e 10 de setembro em Recife-PE. Estejam todos atentos para esta oportunidade de se discutir sobre a "política da capoeiragem".

Para ver a Programação completa: http://www.encontrosprocapoeira.org.br/

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Conferências regionais sobre a capoeira no Brasil - Calendário de encontro das regiões


O Instituto Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) e o GTPC (Grupo de Trabalho Pró-Capoeira) - no âmbito do Programa Pró-Capoeira - selecionou uma equipe de consultores para organizar conferências regionais e levantar dados sobre as demandas locais dos atores diretamente envolvidos, para preservação, divulgação e valorização da capoeira e dos capoeiras. De setembro a outubro, ocorrerão três Conferências regionais, nas seguintes datas e locais.

1. Conferência da Região Nordeste – de 08 à 10 de setembro em Recife-PE

2. Conferência das regiões Norte e Centro-Oeste – de 26 a 28 de setembro em Brasília-DF

3. Conferência Sul-Sudeste – 22 a 24 de outubro (ainda a confirmar) no Rio de Janeiro.

Os eixos temáticos pelos quais a equipe irá sistematizar as demandas e reinvidicações serão em seis:

1. Capoeira e Educação

2. Capoeira, Esporte e Lazer

3. Capoeira e Políticas de Desenvolvimento Sustentável

4. Capoeira, Profissionalização, Organização Social e Internacionalização

5. Capoeira e Políticas de Fomento

6. Capoeira, Identidade e Diversidade

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Membro do Malungo participa de Seminário Nacional sobre História da Capoeira

O Treinel Augusto Leal, responsável pelo trabalho que o Malungo Centro de Capoeira Angola desenvolve na comunidade de Águas Lindas, município de Ananideua-PA, participará no início do mês de agosto de um Seminário na Universidade Federal do Paraná que tratará sobre a história da capoeira no Brasil. É muito importante para o Malungo poder contar com membros que desempenhem também a tarefa de produção e difulsão do conhecimento histórico sobre a capoeira e outras práticas afro-diaspóricas. Boa sorte Augusto Leal, faça um bom jogo nesta outra roda.
Axé!
Mestre Bel

Agradecimento aos colaboradores do III Brinquedo dos Angolas

O Malungo Centro de Capoeira Angola, registra aqui seus agradecimentos àqueles que apoiaram a realização das atividades ocorridas entre os dias 11 e 16 de julho. O III Brinquedo dos Angolas realizou atividades na Praça da República em Belém do Pará, assim como nas comunidades de Águas Lindas e Cristo Redentor, no município de Ananideua-PA. Estas atividades só foram possíveis graças as pessoas que se empenharam para que o evento ocorresse e, nesse sentido, devemos agradecer a todos:

  • Os membros do Malungo Centro de Capoeira Angola - Núcleos do Pará

  • Sr. Aloízio e família da comunidade de Águas Lindas - Ananideua/PA

  • Comunidade Católica Cristo Redentor - Ananideua/PA

  • Veredaor Frei Cal - Feira de Santana-BA

  • Vereador Bira -Irará/BA

  • Prefeitura Municipal de Irará/BA

domingo, 4 de julho de 2010

III Brinquedo dos Angolas - Programação

“Brinquedo dos Angolas” era a denominação que os mais velhos utilizavam para identificar o jogo da capoeira, que ocorria nos terreiros e praças públicas da velha Bahia. Tomamos o termo emprestado e aqui “Brinquedo dos Angolas” dar nome a um evento, reunião, ajuntamento de capoeiras realizado anualmente pelo Malungo Centro de Capoeira Angola. Tem como objetivo fomentar a capoeira angola e dinamizar as trocas culturais e de experiências entre angoleiros e simpatizantes desta prática cultural de matrizes africanas.
O Brinquedo dos Angolas também se constitui em espaço de difusão e aprendizagem sobre outras manifestações simbólicas da cultura afro-diaspórica no Brasil. Nesse sentido, além do brinquedo da capoeira, também ocorrem lançamento de livros, filmes-documentários, debates, oficinas, etc.
O I Brinquedo dos Angolas ocorreu em dezembro de 2008 em Feira de Santana-BA, II Brinquedo dos Angolas, foi realizado em Belém do Pará, local este que sediará o III Brinquedo dos Angolas. Este ano o evento terá como tema: Estudos e vivências de História e Cultura Afro-brasileira. O evento se constituirá em um espaço de trocas culturais e de experiências, tomando a capoeira angola como saber norteador destes valores.
O Malungo aguarda a todos para festejar a capoeira!
Axé!

PROGRAMAÇÃO

11/07/2010 – 09h - Roda de Capoeira na Praça da República
Coordenação:
Mestre Bel – Malungo (Feira de Santana – BA)
Treinel Augusto Leal (Belem –PA)
Treinel Edimar (Belém – PA)

12 e 13 /07/2010 – 14:00h as 17:00h - Oficina: Construindo e Aprendendo Malabares
Ministrante:
Rodrigo Carniça
Local: Igreja do Santíssimo Redentor
End: Lot. Cristo Redentor – Ananindeua - Pa

12 e 13/07/2010- 18:00 as 21:00 - Oficina: Movimento e musicalização na Capoeira Angola
Ministrante:
Mestre Bel – Malungo (Feira de Santana – BA)
Local:
Malungo – Águas Lindas

14 e 15/07/2010 – 14:00h as 17:00h - Oficina: Teatro para Crianças
Ministrante:
Natália Abdul e Juliana Tourinho
Local: Igreja do Santíssimo Redentor
End: Lot. Cristo Redentor – Ananindeua - Pa

14/07/2010 - 17:30 as 19:00 – Palestra: A Capoeira Angola como instrumento de educação.
Ministrante:
Josivaldo Pires (Mestre Bel)

15/07/2010 - 17:30 as 19:00 – Palestra: Pais, filhos e a capoeira como parceira do educar
Ministrante:
Alessandra Marinho

14 e 15 /07/2010 - 19:00 as 21:00 - Oficina: Movimento e musicalização na Capoeira Angola
Mestre Bel – Malungo (Feira de Santana – BA)
Local: Igreja do Santíssimo Redentor
End: Lot. Cristo Redentor – Ananindeua - Pa

16 /07/2010 - Exposição: “Capoeiragem: o brinquedo dos angolas”
Comentários: Mestre Bel – Malungo (Feira de Santana – BA)
Roda de fechamento - 17:00 - Capoeira Angola
Coordenação:
Mestre Bel – Malungo (Feira de Santana – BA)
Treinel Augusto Leal (Belem –PA)
Treinel Edimar (Belém – PA)
Local: Atelier de Arte - UFPA

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Doutor em Estudos Étnicos e Africanos

Este foi o título adquirido pelo mestre Bel, coordenador do Malungo, no último dia 11 de junho, nas instalações do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia. A tese defendida trata da repressão policial às práticas de candomblé e curandeirismo negro em Feira de Santana, maior cidade do interior baiano. A sessão pública de defesa contou com uma banca formada por historiadores e antropólogos. Essa nova pesquisa do mestre faz parte do interesse que tem o Malungo em entender as experiências históricas das culturas negras na diáspora. Este tema vem somar ao tema da capoeira que já goza de algumas publicações realizadas pelo mestre e pelo treinel Augusto Leal (Malungo -PA). No próximo ano será publicado o livro com o conteúdo da tese, o que poderá acontecer, mais uma vez, em parceria com o treinel Augusto Leal, tendo em vista que sua tese já está em andamento no mesmo programa de doutorado e será defendida no próximo ano. A pesquisa sobre a experiência histórica das culturas afro-brasileiras, tanto na Bahia quanto no Pará, é interesse do Malungo.

Axé irmãos e irmãs!!!

O mestre fazendo a exposição da tese

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A banca examinadora. Da esquerda para direita: Dr. Nicolau Pares, Dra. Lucilene Reginaldo, Dr. Jeferson Bacelar e Dra. Ana Maria Carvalho

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O mestre assinando a Certidão que garante o título sob a observação do Dr. Jocélio Teles dos Santos, coordenador do curso de Doutorado em Estudos Étnicos e Africanos - UFBA

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O MESTRE BEL VAI SER DOUTOR!




Na próxima sexta, dia 11 de junho, às 09;30h da manhã, vai ocorrer a defesa de tese de doutoramento do mestre Bel. Seu trabalho, "Adeptos da Mandinga": candomblés, curandeiros e repressão policial na Princesa do Sertão (Feira de Santana - BA, 1938-1970)" vem sendo desenvolvido desde 2006 e pretende revelar aspectos inusitados acerca da experiência religiosa, e sua resistência social, no sertão da Bahia.


A Banca examinadora será composta por alguns dos maiores especialistas no assunto:

Prof. Dr. Jeferson Bacelar (Orientador)
Prof. Dr. Luis Nicolau Pares (UFBA)
Profa. Dra. Lucilene Reginaldo (UEFS)
Prof. Dr. Walter Fraga Filho (UFRB)
Profa. Dra. Ana Maria Carvalho Oliveira (UNEB)
É mais um trabalho árduo que um membro do Malungo apresenta à sociedade.


Boa sorte Metre Bel!


Estaremos em sintonia.



Local: Auditório Agostinho da Silva, Ceao/UFBA (Salvador/BA)

terça-feira, 1 de junho de 2010

MALUNGO E A MÚSICA NEGRA NO PARÁ



Palestra discute sobre identidade musical paraense

O Instituto de Artes do Pará (IAP) dá prosseguimento ao projeto Saber da Fonte, que desde abril busca levar ao público pesquisas acadêmicas sobre o universo cultural da Amazônia. Nesta terça-feira (1°), quem participa do projeto é o professor Luiz Augusto Pinheiro Leal (UFPA), com a palestra “É proibido fazer batuques ou sambas: a política de embranquecimento cultural no Pará republicano”. A palestra começa às 18h30, no auditório do IAP (Nazaré, ao lado da Basílica).
Esse trabalho do pesquisador tem como principal objetivo apresentar os resultados iniciais da pesquisa sobre música e sociedade que desenvolveu junto ao Acervo Vicente Salles, em Belém. Seu principal eixo de abordagem está em considerar que a experiência de formação da identidade brasileira também passava pelos caminhos da construção de uma musicalidade tolerável para a sociedade nacional que se buscava estabelecer.
“Enquanto autores clássicos, como Gonzaga - Duque, defendiam a inexistência de arte no Brasil até o início do século XX, as práticas musicais de origem negra ou indígena eram duramente reprimidas no Brasil. Como exemplo, temos a criminalização da capoeira, a repressão ao samba e a proibição do carimbó e do batuque no Pará. Paralelamente ao incremento da uma europeização cultural na Amazônia, ocorria um processo de embranquecimento da cultura musical através da proibição e repressão de práticas culturais que não possuíssem orientação inspirada no modelo europeu”, diz Leal.
No trabalho de 2005 “Capoeira, Boi-Bumbá e Política no Pará Republicano (1889-1906)”, da Universidade Federal da Bahia, o pesquisador já abordava o tema. Nele, ressalta o Ciclo da Borracha e como o enriquecimento da cidade fez com que a repressão às expressões mais populares se acirrasse.
“Ladrão, Umarizal e Jurunas eram bairros periféricos ocupados principalmente pela população pobre de Belém. Seus moradores, em grande maioria negros, incomodavam as elites por causa de suas práticas culturais, que iam de encontro aos valores estéticos defendidos para uma cidade moderna. Nos discursos jornalísticos e policiais, era muito comum se confundirem ‘classes pobres’ e ‘classes perigosas’ (...) Como a reordenação da cidade não se restringiria a seus aspectos físicos, para alcançar o ‘progresso’ e a ‘civilização’, a elite local também precisava ter controle sobre as práticas populares consideradas como perigosas e de má influência para a sociedade. Assim, através das páginas noticiosas do período, uma intensa campanha seria lançada em favor da repressão e da eliminação de práticas consideradas inadequadas a uma grande e desenvolvida urbe moderna (...) Os capoeiras e ‘vagabundos’ seriam os alvos principais desta empreitada”.
SERVIÇO
Projeto Saber da Fonte. Nesta terça-feira, dia 1º, às 18h30, palestra “É proibido fazer batuques ou sambas: a política de embranquecimento cultural no Pará republicano ”, com o Professor Mestre Luiz Augusto Pinheiro Leal, no auditório do IAP (Nazaré, ao lado da Basílica).
Entrada franca.
Informações: Gerência de Artes Literárias e Expressão de Identidade do IAP (91) 4006-2905/2906/2908.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Malungo lamenta a morte do poeta baiano Damário DaCruz

Segue a nota escrita pelo mestre Bel em nome do Malungo Centro de Capoeira Angola

Damário DaCruz, o Cavaleiro da Luz

É com o peito apertado que dedico essas linhas para Damário, nosso grande poeta. Relutei em escrever, mas se passado alguns dias não tenho mais como relutar, pois é com alegria que me lembro deste poeta e seu “gran finale”.
Conheci Damário no final dos anos 1990. Tinha o hábito de freqüentar o seu santuário “Poso da Palavra” na Cidade Histórica de Cachoeira-Ba em companhia do amigo cachoeirano Edmar Ferreira, historiador de ofício e poeta por convicção. Damário nos chamava de Cavaleiros da Luz, pelo fato de juntamente com ele aguardarmos o alvorecer do dia depois de experimentarmos a boêmia noite de Cachoeira, no deleite da boa poesia e saborosa cachaça. Todos nós ficávamos enfeitiçados pelos mágicos encantos vivenciados naquele que se intitulou, também magicamente, como “Pouso da Palavra”. Éramos os cavaleiros da Luz no castelo do velho poeta.
Fica aqui a dedicatória do Malungo a Damário DaCruz, o cavaleiro da Luz!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Gabriel Ferreira e os bastidores da capoeiragem

Após o lançamento de mais uma exposição do artista plástico Gabriel Ferreira, ocorrido em Feira de Santana-Ba, no último dia 13 de maio, Gabriel desabafou sobre o apoio que sempre teve do Malungo, na pessoa do seu coordenador Mestre Bel. Segue o texto.
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"Bel Pires: Doutor capoeirista
Mestre Bel Pires é um desses sujeitos a quem devo muito, quando se trata desse meu lado "capoeira"; pois, foi um dos poucos que estendeu a mão e me cedeu espaço e muito material para ler, para escutar e para ver acerca do tema. Estendeu a mão ao tempo que deixou uma porta aberta para a parceria em suas publicações. Devo ainda ressaltar a sua garra acadêmica, pois conseguiu chegar ao doutorado estudando o que mais gosta de fazer: capoeira. Sua vida sempre foi cheia de opções e muita ação. A opção de avançar e expandir academicamente com o estudo da historiografia bem vinculada à "vadiagem" rende àquele sujeito uma admiração muito grande emanada da minha pessoa, pois aquele preto vai buscar a razão dos seus sonhos aonde ela estiver. Em termos de ações consegue viajar carregando consigo sua identidade e, mais ainda, autoridade. Obrigado por ter realizado a abertura da Mostra e, vida longa!!! Você é mais do que mestre, é um cabra da peste rs."


Segue uma pequena mostra dos feitos de Gabriel Ferreira:




Texto publicado em 15/05/2010

domingo, 9 de maio de 2010

Malungo apoia exposição de artista plástico

“Corpo, Movimento e Ludicidade”: com esse mote Gabriel Ferreira, artista plástico, estréia o ano de 2010 com a mostra “Brinquedo dos Angolas – Capoeiragem” trazendo mais uma vez em suas telas e ilustrações a dinâmica da capoeira angola com vários aspectos gestuais e da vadiagem desses agentes sociais. A referida temática vem sendo trabalhada há 10 anos pelo artista, por meio do seu encantamento e proximidade com aquela atividade cultural. Em parceria com o Malungo Centro de Capoeira Angola tece o discurso imagético a partir dos textos produzidos pelo mestre de capoeira, historiador e professor Josivaldo Pires de Oliveira (Bel Pires), com o qual mantém atividade de publicação de ilustrações em livros e revistas especializadas, além de participar de mostras em outros estados do país e no exterior. Para a abertura da mostra no MAC, o Mestre Bel Pires fará uma pequena palestra sobre o trabalho desenvolvido e temas correlatos. A Vernissage está marcada para o dia 13 de maio de 2010 às 20h, Rua Germiniano Costa, s/n, Centro, Feira de Santana-Bahia, com permanência programada para 13 de junho do mesmo ano.
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Obs. A exposição "Capoeiragem" será conjunta com a da artista plástica feirense Marluce Moura, como consta do convite.



Fonte: http://artistagabrielferreira.blogspot.com/

domingo, 7 de março de 2010

8 de março - Dia Internacional da Mulher


Neste 8 de março, o Malungo Centro de Capoeira Angola deseja homenagear todas as mulheres membros, colaboradoras e simpatizantes do nosso grupo e da capoeira em geral. Ressaltamos que temos o compromisso com o debate em relação à questão de relações de gênero tanto quanto temos com os debates sobre as temáticas raciais. Em nosso livro CAPOEIRA, IDENTIDADE E GÊNERO enfatizamos justamente esta questão: a mulher como agente da história, de sua história e da história da capoeira.
Fugindo dos modelos predominantes em que a mulher aparece apenas como curiosidade ou sombra da ação masculina, em nosso livro personagens femininas são agentes de suas histórias.



Nosso livro, aliás, foi dedicado a uma pessoa que marcou a história da mulher na capoeira do norte do Brasil: Sílvia Leão ou Sílvia Pé de Anjo, que nos deixou à alguns anos. Cabe à ela algumas palavras de homenagem neste sentido. Pé de Anjo foi uma capoeirista muito querida em seu tempo de vida neste mundo. Além de capoeira, era artista e dançarina. Nos anos 80 foi uma das mais aplaudidas miss do carnaval paraense (Foto acima). Se destacava por sua beleza, mas o que mais chamava atenção das pessoas que a conheceram, era sua grande inteligência. Conhecemos Sílvia Leão no contexto das primeiras organizações em torno do Movimento Capoeira Mulher em Belém. Naquela época, os estudos sobre a história da mulher NA capoeira e da mulher capoeira davam seus primeiros passos e Pé de Anjo era uma das poucas pessoas que, no momento, compreendiam a importância daquelas descobertas históricas.


Pé de Anjo foi uma dessas pessoas que parecem que nunca deveria ter partido.

A nós fica a boa lembrança e a saudade, especialmente para quem a conheceu de perto. Resta-nos também o exemplo de sua existência como mulher capoeira, exemplo de luta e de uma existência plena.

Viva Sílvia Leão!

Fotos gentilmente cedidas pela sra Edna, da Livraria Relicário

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Notícias do Brinquedo dos Angolas: Exposição de Gabriel Ferreira no Pará!

Gabriel Ferreira é um artista plástico já bastante conhecido no meio da capoeiragem baiana e de outras partes do Brasil, já tendo sua obra circulado em vários países. É também conhecido entre as rodas acadêmicas que tem se interessado por cultura popular. Desde o ano 2.000 tem se destacado com o tema da capoeira. Sua obra mais recente, neste sentido, foi a ilustraçao do livro Capoeira, identidade e gênero (Edufba, 2009), de autoria do Mestre Bel e do Treinel Augusto Leal. A Exposição intitulada Capoeiragem: o brinquedo dos angolas, fará parte da programação do III Brinquedo dos Angolas, a realizar-se em Belém do Pará, em julho de 2010. Segue um aperitivo do que irá acontecer:








segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

III Brinquedo dos Angolas – Em breve!

O Brinquedo dos Angolas é um evento, reunião, ajuntamento de capoeiras realizado anualmente pelo Malungo Centro de Capoeira Angola. Tem como objetivo fomentar a capoeira angola e dinamizar as trocas culturais e de experiências entre angoleiros e simpatizantes desta prática cultural de matrizes africanas. O Brinquedo dos Angolas também se constitui em espaço de difusão e aprendizagem sobre outras manifestações simbólicas da cultura afro-diaspórica no Brasil. Nesse sentido, além do brinquedo da capoeira, também ocorrem lançamento de livros, filmes-documentários, debates, oficinas e mini-cursos sobre temas da capoeira e de outros saberes afins.
Mestre Bel na bateria e os treinéis Augusto Leal e Edimar
prontos para vadiagem- II Brinquedo dos Angolas

O I Brinquedo dos Angolas ocorreu em dezembro de 2008 em Feira de Santana-BA, na oportunidade foi lançado o Documentário Memórias do Recôncavo: Besouro e outros capoeiras, de Pedro Abib, aluno do mestre João Pequeno. Foi lançado também o livro A política da capoeiragem, de Augusto Leal , Treinel do núcleo do Malungo em Belém do Pará (PA). Em 2009, ocorreu o II Brinquedo dos Angolas, sendo realizado em Belém do Pará, quando foi lançado o livro Capoeira, identidade e gênero, primeira publicação feita em co-autoria dos membros do Malungo sobre a história social da capoeira. Este ano de 2010, será realizado o III Brinquedo dos Angolas, com atividades paralelas na Bahia e no Pará entre os meses de julho e agosto. Este ano o Brinquedo dos Angolas irá prestar homenagens a grandes mestres da cultura afro-brasileira. Na Bahia, ainda não foi definido o nome a ser homenageado, mas no Pará temos um forte candidato: VEREQUETE, O GRANDE MESTRE DO CARIMBÓ!
Mestre Walcir (Senzala) e o Treinel Augusto Leal - II Brinquedo dos Angolas

Informamos aos companheiros e companheiras que acompanham o jornal (blog) do Malungo que iremos publicar regularmente, até a data do Evento, matérias falando do Brinquedo dos Angolas, assim como refletindo sobre a importância histórica dos mestres que iremos homenagear e o significado dos seus saberes para o Malungo Centro de Capoeira Angla.
Axé!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Haiti: balança, mas não cai!

Todos nesse momento devem está acompanhando as conseqüências do desastre causado por um terremoto ocorrido no Haiti, país negro do Caribe, América Central. Ex-colônia francesa, o Haiti conquistou sua independência com muita batalha, entre as quais aquela que se tonou notória como A Revolta escrava de São Domingos (1791-1804).
Recentemente o Haiti foi acometido por um violento terremoto. O Haiti balançou, mas não irá cair! Na capoeira, encaramos assim: “capoeira balança, mas não cai”. Isto serve para os nossos irmãos haitianos, filhos da diáspora negra nas Américas, que não caíram em outros momentos e não irão cair agora. Equilibra-te Haiti, pois tu não vai cair!
São os votos do Malungo Centro de Capoeira Angola, em solidariedade às vítimas no Haiti.
Cenas da Revolta Escrava de São Domingos. Fonte: Revista História Viva, Ed. 51, jan. 2008.