terça-feira, 10 de julho de 2012

Brincando de angola....

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Olha o mestre aí!

Primeira atividade da nova gestão do CCAAm


Chá de Conversa e Som será uma das atividades de fomento à integração e fruição entre artistas, CCAAm e comunidade. É promoção da nova gestão e tem o intuito de dar o pontapé inicial nos trabalhos propostos. Objetiva lançar mão de temas diversos e de livre iniciativa do público presente, com acesso gratuito, degustação de saborosos chás e troca de informações. As conversas serão incentivadas e mediadas por agentes de atuação cultural no município e/ou nos territórios de identidade. Nesta primeira edição, ter-se-ão como colaboradores o Prof. Bel Pires (Doutor em Historiografia, Pesquisador, Mestre de Capoeira e Coordenador do Malungo Centro de Capoeira Angola), Paulo Akenaton (Cantor, Musicista, Pesquisador e Compositor) e Ricardo Pacheco (Professor de Literatura, Musicista, Capoeirista, Cantor e Compositor). Pelas características intelectuais destes, o mote das discussões poderão girar em torno das influências das culturas africanas na música brasileira, sua formação estética e contemporaneidade. Sendo assim, toda a comunidade está convidada a “bater um papo” conosco e contribuir para fomentar discussões relacionadas à criatividade local e territorial.
Fonte: http://www.amelioamorim.blogspot.com.br/

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Artista plástico Gabriel Ferreira assume a coordenação de Centro de Cultura em Feira de Santana-BA

O artista plástico baiano Gabriel Ferreira, parceiro antigo do Malungo, foi nomeado na semana passada como novo coordenador do Centro de Cultura Amélio Amorim, órgão do governo do estado da Bahia responsável por fomento cultural em Feira de Santana, sede do Malungo. O Malungo deseja a Gabriel Frreira boa sorte na gestão. Veja o artigo do mestre Bel sobre a posse.

O Amélio Amorim sob nova direção: Gabriel Ferreira e as idéias no devido lugar
O Centro de Cultura Amélio Amorim foi palco, na terça-feira, dia 26 de junho, de um evento que talvez se torne marco nas práticas de fomento e políticas culturais em Feira de Santana. Tomou posse como novo coordenador deste Centro, o artista plástico, músico e economista Gabriel Ferreira. Antes que alguém se pergunte adiantarei que a nomeação de Gabriel não foi indicação política e sim resultante de um processo seletivo, como afirmou, durante a cerimônia, o senhor secretário de Cultura do Estado, o professor José Antônio Rubin.
A timidez do Estado (e do município) em fomentar cultura em nossa cidade, tem me provocado desconforto, razão pela qual não posso deixar de refletir sobre o evento de posse do novo coordenador do Amélio Amorim. Pois, mesmo considerando a complexidade de um cargo como este, na atual conjuntura política, acredito veementemente na competência, seriedade e compromisso de Gabriel Ferreira. Portanto, esta é uma reflexão que se configura no campo da ideologia e da relação social.
Ao tratar sobre a noção de ideologia, a professora Marilena Chauí fez algumas observações muito interessantes sobre as relações sociais e de poder. Para a cara filósofa na ideologia as idéias estão sempre fora do lugar. Ou seja, as idéias deveriam estar nos sujeitos sociais e em suas relações, mas na ideologia os sujeitos e as relações sociais é que parecem estar nas idéias. Quando assistimos a forma com as quais os gestores públicos têm conduzido os órgãos e entidades culturais a exemplo dos Centros e das Secretarias de Cultura (especialmente as municipais), a sensação que nos assiste é que os sujeitos e as relações sociais é que estão nas idéias, neste caso, nas idéias que tem lugar na cabeça dos políticos, agentes da administração pública.
No caso dos secretários tanto estaduais quanto municipais, o que se observa é a falta de diálogo (mais preciso) com os segmentos artísticos, culturais e intelectuais. Os secretários estaduais encontram dificuldade de dialogar, principalmente, com os segmentos do interior do estado. No caso dos secretários municipais, estes tem dificuldade de ouvir e muitas vezes de entender a comunidade artística e intelectual. Desta forma, os sujeitos e as relações sociais é que estão nas idéias e estas na cabeça dos políticos, ou seja, fora do lugar. Com Gabriel Ferreira, não tenho dúvida que as idéias estarão em seu devido lugar: nos sujeitos e nas relações sociais.
Em sua cerimônia de posse, por exemplo, muito me animou a presença do Secretário de Cultura do Estado, o que parece sinalizar uma abertura para o diálogo com os segmentos do interior. Entretanto, não pude deixar de observar o descuido da Prefeitura Municipal de Feira de Santana em não enviar nenhum representante da Secretaria Municipal de Cultura, o que foi, pelo menos para mim, bastante preocupante.
Talvez se a nomeação de Gabriel fosse uma mera indicação política, tivéssemos a casa mais cheia, os senhores secretários municipais poderiam estar presentes e quem sabe os nossos companheiros da labuta artística estivessem em maior número.
Parece-me que ainda entre certos segmentos, um conformismo aceitando as idéias fora do lugar. Entretanto, muitos tem se movimentado no sentido de deslocar as idéias para o seu devido lugar: os sujeitos e as relações sociais.
Foi desta forma que assistir a posse de Gabriel Ferreira e muito me animei, voltei a sonhar!
Fonte: Portal Blog da Feira

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Vadiagem na Princesa do Sertão-BA

O Malungo Centro de Capoeira Angola estará nos próximos dias de casa nova. O Mestre Bel, responsável pelas atividades do Malungo na Bahia, irá anunciar nos próximos dias o novo espaço de atividades do Malungo em Feira de Santana. Aguardem!

( Na foto ao lado: Mestre Macaco de Santo Amaro-BA e  Mestre Bel do Malungo)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

AS MORTES DA CAPOEIRA DO RECIFE




A impunidade. Esse é o título do editorial do Jornal do Recife que, ao ser reproduzido no Jornal Pequeno, acompanhou a charge ao lado em uma edição de 1907. Curiosamente, conforme vários autores, nesse ano estaria em vias de conclusão a repressão sistemática à capoeira do Recife promovida pelo chefe de polícia Manoel dos Santos Moreira (1904-1908). Foi com base nesses autores que se difundiu entre capoeiristas pernambucanos da atualidade a interpretação segundo a qual a repressão republicana teria erradicado a capoeira do Recife nos primeiros anos do século passado. Porém, ainda assim é àquele mesmo passado que se alude ao falar da tradição da capoeira pernambucana, marcadamente de rua e herdeira dos antigos brabos e valentões.
Como, portanto, uma prática que foi reprimida e morreu com os seus praticantes há mais de cem anos poderia ter alguma relação com aquilo que hoje se chama de capoeira no Recife? Uma resposta talvez possa ser encontrada ao se abrir mão do hábito, muito disseminado, de considerar a identidade “capoeira” como algo imanente aos indivíduos que eram assim classificados no passado.
Mas qual o problema de percebê-los dessa forma? Em primeiro lugar, isso tem como consequência toma-los sempre em conjunto (“os capoeiras”), como se eles naturalmente constituíssem uma comunidade de interesses, com inimigos em comum – sendo a polícia o principal deles. Isso dá margem a toda uma série de dualidades (repressores/reprimidos, elite/populares), nas quais os homens classificados como capoeiras pelas fontes são, em bloco, situados em um dos polos. Por mais estranho que possa parecer, a historiografia chegou até mesmo a atribuir essa identidade coletiva a pessoas que nunca a receberam nos documentos consultados, reservando para si o papel de polícia ao “identificar os capoeiras” mesmo quando eles não apareceram como tais.
Na imprensa entre final do século XIX e início do século XX, muitas vezes essa questão foi posta de maneira semelhante. Os redatores de jornais, muitas vezes jovens bacharéis republicanos imbuídos de um projeto de sociedade na qual a capoeira não deveria existir, decantavam a sua repressão por uma polícia ideal.
No entanto, no Recife, as tentativas de levar adiante esses objetivos esbarraram em uma complexa rede de relações longamente estabelecidas, em cuja análise é possível perceber que os homens dos quais as histórias mais tarde iriam compor a memória da capoeira da cidade tiveram trajetórias individuais por vezes muito diferentes entre si. Nas narrativas dessas trajetórias, eles podem aparecer tanto na polícia e na elite, quanto em lugares sociais geralmente considerados opostos a esses, a depender da situação política ou de quem estava se referindo a eles nas fontes, se um aliado ou um adversário. Levando isso em conta, muitas vezes o que parece ser uma repressão a um famoso capoeira realizada por um policial em nome da ordem, pode passar a ser visto como um conflito entre dois homens de fama semelhante, só que um pertencente à polícia e o outro não.
No entanto, ao contrário do início da década de 1890, quando era associado aos vícios da Monarquia decaída, entre o final da década de 1900 e a seguinte, a capoeira se tornou cada vez menos um termo negativo o suficiente para definir os criminosos do Recife. Era a época em que se difundiam na cidade os discursos favoráveis à capoeiragem, enquanto exercício ligado à identidade nacional. E apesar de mais tarde a luta de rua, sem padronização, ter sido considerada uma característica marcante daquela prática no Recife, é ainda nos anos iniciais do século XX que surgirá o Centro de Cultura Física, talvez um dos primeiros do Brasil onde a capoeira era ensinada juntamente com outros esportes.
Se não estou certo de que essa experiência institucionalizada do Centro foi levada adiante, os homens conhecidos como brabos e valentões na cidade continuaram atuando, tanto na época, quanto muito depois de quando teria sido concluída a tão comentada repressão republicana aos capoeiras. Possivelmente, foi com as práticas transmitidas por eles que os mestres mais antigos da capoeira que se pratica hoje no Recife se encontraram quando começaram suas atividades entre os anos 1960 e o final dos 1970.
Esses mestres, porém, haviam aprendido que a capoeira legítima deveria ser procurada na Bahia e não nas brigas sem padrão ou instrumental de Pernambuco. Portanto, quando as viram nas ruas da capital, disseram que não eram capoeira, matando em seu discurso o que de mais próximo havia daquilo que um dia foi chamado de capoeira do Recife.

ISRAEL OZANAM*

*Graduado em História pela Universidade Federal de Pernambuco/UFPE (2010), foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da FACEPE, entre 2007-2010, pesquisando a capoeira no Recife no início da República. Atualmente é bolsista de mestrado do CNPq, matriculado no programa de pós-graduação em História da UFPE com um projeto sobre o mesmo tema. No segundo semestre de 2011, desenvolveu suas atividades de mestrado junto ao Centro de Pesquisa em História Social da Cultura da UNICAMP, após ser contemplado com a bolsa de Auxílio a Mobilidade Discente da FACEPE.

Para saber mais:

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Índios e negros, irmão de caminhadas e de duras batalhas

O que (não) fazer no Dia do Índio


Publicado em 13 de abril de 2012 por Victoria Almeida

09/04/2012



Fonte: Da Revista Nova Escola



Na data em homenagem aos primeiros habitantes do Brasil, uma série de estereótipos e preconceitos costuma invadir a sala de aula. Saiba como evitá-los e confira algumas propostas de especialistas de quais conteúdos trabalhar.



O Dia do Índio é comemorado em 19 de abril no Brasil para lembrar a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram para discutir seus direitos, em um encontro marcante.



Por ocasião da data, é comum encontrar nas escolas comemorações com fantasias, crianças pintadas, música e atividades culturais. No entanto, especialistas questionam a maneira como algumas dessas práticas são conduzidas e afirmam que, além de reproduzir antigos preconceitos e estereótipos, não geram aprendizagem alguma. “O indígena trabalhado em sala de aula hoje é, muitas vezes, aquele indígena de 1500 e parece que ele só se mantém índio se permanecer daquele modo. É preciso mostrar que o índio é contemporâneo e tem os mesmos direitos que muitos de nós, ‘brancos’”, diz a coordenadora de Educação Indígena no Acre, Maria do Socorro de Oliveira.



Saiba o que fazer e o que não fazer no Dia do Índio:



1. Não use o Dia do Índio para mitificar a figura do indígena, com atividades que incluam vestir as crianças com cocares ou pintá-las. Faça uma discussão sobre a cultura indígena usando fotos, vídeos, música e a vasta literatura de contos indígenas. “Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea”, explica a antropóloga Majoí Gongora, do Instituto Socioambiental.



2. Não reproduza preconceitos em sala de aula, mostrando o indígena como um ser à parte da sociedade ocidental, que anda nu pela mata e vive da caça de animais selvagens. Mostre aos alunos que os povos indígenas não vivem mais como em 1500. Hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar a cultura e os costumes.



3. Não represente o índio com uma gravura de livro, ou um tupinambá do século 14. Sempre recorra a exemplos reais e explique qual é a etnia, a língua falada, o local e os costumes. Explique que o Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas. Cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar. Não se prenda a uma etnia. Fale, por exemplo, dos Ashinkas, que têm ligação com o império Inca; dos povos não-contatados e dos Pankararu, que vivem na Zona Sul de São Paulo.



4. Não faça do 19 de abril o único dia do índio na escola. A Lei 11.645/08 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Por que não incluir no planejamento de História, de Língua Portuguesa e de Geografia discussões e atividades sobre a cultura indígena, ao longo do ano todo? Procure material de referência e elabore aulas que proponham uma discussão sobre cultura indígena ou sobre elementos que a emprestou à nossa vida, seja na língua, na alimentação, na arte ou na medicina.



5. Não tente reproduzir as casas e aldeias de maneira simplificada, com maquetes de ocas.“Oca” é uma palavra tupi, que não se aplica a outros povos. O formato de cada habitação varia de acordo com a etnia e diz respeito ao seu modo de organização social. Prefira mostrar fotos ou vídeos.



6. Não utilize a figura do índio só para discussões sobre como o homem branco influencia suas vidas. Debata sobre o que podemos aprender com esses povos. Em relação à sustentabilidade, por exemplo, como poderíamos aprender a nos sentir parte da terra e a cuidar melhor dela, tal como fazem e valorizam as sociedades indígenas?







Consultoria:



- Maria do Socorro de Oliveira, coordenadora de Educação Escolar Indígena da Sec. De Educação do estado do Acre. E Majoí Gongora, Antropóloga do programa de Povos Indígenas do Brasil do Instituto Socioambiental.

In http://www.famalia.com.br/?p=12671