quinta-feira, 19 de abril de 2012

Índios e negros, irmão de caminhadas e de duras batalhas

O que (não) fazer no Dia do Índio


Publicado em 13 de abril de 2012 por Victoria Almeida

09/04/2012



Fonte: Da Revista Nova Escola



Na data em homenagem aos primeiros habitantes do Brasil, uma série de estereótipos e preconceitos costuma invadir a sala de aula. Saiba como evitá-los e confira algumas propostas de especialistas de quais conteúdos trabalhar.



O Dia do Índio é comemorado em 19 de abril no Brasil para lembrar a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram para discutir seus direitos, em um encontro marcante.



Por ocasião da data, é comum encontrar nas escolas comemorações com fantasias, crianças pintadas, música e atividades culturais. No entanto, especialistas questionam a maneira como algumas dessas práticas são conduzidas e afirmam que, além de reproduzir antigos preconceitos e estereótipos, não geram aprendizagem alguma. “O indígena trabalhado em sala de aula hoje é, muitas vezes, aquele indígena de 1500 e parece que ele só se mantém índio se permanecer daquele modo. É preciso mostrar que o índio é contemporâneo e tem os mesmos direitos que muitos de nós, ‘brancos’”, diz a coordenadora de Educação Indígena no Acre, Maria do Socorro de Oliveira.



Saiba o que fazer e o que não fazer no Dia do Índio:



1. Não use o Dia do Índio para mitificar a figura do indígena, com atividades que incluam vestir as crianças com cocares ou pintá-las. Faça uma discussão sobre a cultura indígena usando fotos, vídeos, música e a vasta literatura de contos indígenas. “Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea”, explica a antropóloga Majoí Gongora, do Instituto Socioambiental.



2. Não reproduza preconceitos em sala de aula, mostrando o indígena como um ser à parte da sociedade ocidental, que anda nu pela mata e vive da caça de animais selvagens. Mostre aos alunos que os povos indígenas não vivem mais como em 1500. Hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar a cultura e os costumes.



3. Não represente o índio com uma gravura de livro, ou um tupinambá do século 14. Sempre recorra a exemplos reais e explique qual é a etnia, a língua falada, o local e os costumes. Explique que o Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas. Cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar. Não se prenda a uma etnia. Fale, por exemplo, dos Ashinkas, que têm ligação com o império Inca; dos povos não-contatados e dos Pankararu, que vivem na Zona Sul de São Paulo.



4. Não faça do 19 de abril o único dia do índio na escola. A Lei 11.645/08 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Por que não incluir no planejamento de História, de Língua Portuguesa e de Geografia discussões e atividades sobre a cultura indígena, ao longo do ano todo? Procure material de referência e elabore aulas que proponham uma discussão sobre cultura indígena ou sobre elementos que a emprestou à nossa vida, seja na língua, na alimentação, na arte ou na medicina.



5. Não tente reproduzir as casas e aldeias de maneira simplificada, com maquetes de ocas.“Oca” é uma palavra tupi, que não se aplica a outros povos. O formato de cada habitação varia de acordo com a etnia e diz respeito ao seu modo de organização social. Prefira mostrar fotos ou vídeos.



6. Não utilize a figura do índio só para discussões sobre como o homem branco influencia suas vidas. Debata sobre o que podemos aprender com esses povos. Em relação à sustentabilidade, por exemplo, como poderíamos aprender a nos sentir parte da terra e a cuidar melhor dela, tal como fazem e valorizam as sociedades indígenas?







Consultoria:



- Maria do Socorro de Oliveira, coordenadora de Educação Escolar Indígena da Sec. De Educação do estado do Acre. E Majoí Gongora, Antropóloga do programa de Povos Indígenas do Brasil do Instituto Socioambiental.

In http://www.famalia.com.br/?p=12671

quinta-feira, 29 de março de 2012

VI ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA – ANPUH/BA

XXIII CICLO DE ESTUDOS HISTÓRICOS DA UESC

POVOS INDÍGENAS, AFRICANIDADES E DIVERSIDADE CULTURAL

CAMPUS DA UESC – ILHÉUS/BA, 13 A 16 DE AGOSTO DE 2012



Colegas,



A Comissão Organizadora do VI Encontro Estadual de História, informa aos associados e ao público em geral que as inscrições de propostas de MINI CURSOS encontram-se abertas até o próximo dia 31 de março - www.viencontroanpuhba.ufba.br

Encontram-se abertas até 13 de maio, inscrições de COMUNICAÇÕES para os 34 Simpósios Temáticos do Evento. Poderão inscrever-se profissionais de História e de outras áreas com interesse na temática geral do Evento e com aderência às propostas dos Simpósios. Graduandos poderão também inscrever-se, desde que sejam chancelados formalmente por seus orientadores - www.viencontroanpuhba.ufba.br

Quanto às solicitações de informações sobre Hospedagem, informamos que estabelecemos parceria com a Multihotéis, Operadora Oficial do Evento, que em breve apresentará cotação de diárias na rede hoteleira de Ilhéus, com tarifas promocionais para os participantes do Evento, bem como de pacotes e passagens aéreas também promocionais.

Quanto ao Alojamento para estudantes, após entendimentos com a Administração da UESC, estaremos disponibilizando 200 vagas (salas) para alojamento, única e exclusivamente para delegações. Este número poderá ser ampliado, desde que sejam utilizadas barracas. Em breve iniciaremos a campanha de “hospedagem solidária”.

Visando tornar mais ágil a troca de informações, bem como uma maior circularidade do Evento estamos lançando, em parceria com o Portal História Pensada, o Blog Oficial do Evento http://anpuhba.historiapensada.com/index.html - convidamos a todos que o visitem, bem como o compartilhem em suas redes de contatos.



Cordialmente,




COMISSÃO ORGANIZADORA

VI ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA – ANPUHBA



www.viencontroanpuhba.ufba.br – Página do Evento - Inscrição de Propostas

http://anpuhba.historiapensada.com/index.html - Blog Oficial do Evento

http://www.multihoteis.com/ - Operadora Oficial do Evento

viencontroanpuhba@gmail.com – Comissão Organizadora

viencontroanpuhbafinanceiro@gmail.com – Envio de comprovantes de pagamento

vianpuhba.local@gmail.com – Coordenação Local – Informações sobre Alojamento



--

COMISSÃO ORGANIZADORA
VI Encontro Estadual de História - ANPUH-BA
Campus da UESC, 13 a 16 de agosto de 2012
http://www.viencontroanpuhba.ufba.br





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COMISSÃO ORGANIZADORA
VI Encontro Estadual de História - ANPUH-BA
Campus da UESC, 13 a 16 de agosto de 2012
http://www.viencontroanpuhba.ufba.br

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

JOÃO PEQUENO FOI PRAS TERRAS DE ARUANDA

Por Pedro Abib, aluno do mestre João Pequeno


"Quando eu aqui cheguei, a todos eu vim louvar..."
Deve ter sido assim que mestre João Pequeno de Pastinha cantou quando chegou em terras de Aruanda, lugar mítico, para onde se acredita vão os mortos...que nunca morrem...como se crê em África !
Assim como João cantou tantas vezes essa mesma ladainha, onde quer que chegava para mostrar sua capoeira angola aos quatro cantos desse mundo ... êita coisa bonita de se ver ! O velho capoeirista tocando mansamente seu berimbau e cantando...dando ordem pra roda começar. Os privilegiados que puderam compartilhar com João Pequeno esses momentos, sabem bem do que estou falando.
Foram 94 anos bem vividos. Aposto que daqui não levou mágoa, não era de seu feitio. Inimigos também não deixou, sua alma boa não permitiria. Partiu como um passarinho, leve e feliz, como vão todos os grandes homens: certeza de missão cumprida.
Deve estar agora junto de seu Pastinha, naquela conversa preguiçosa, que não precisa de muita palavra, que só os bons amigos sabem conversar. E seu Pastinha deve estar orgulhoso de seu menino. Fez direitinho tudo que ele pediu: tomou conta da sua capoeira angola com toda a dignidade, fazendo com que ela se espalhasse mundo afora. A semente que seu Pastinha plantou, João soube regar e cultivar muito bem. Êita menino arretado esse João Pequeno !
Nunca foi de falar muito. Só quando era preciso. E nessa hora saía cada coisa, meu amigo ! Coisa pra se guardar na mente e no coração. Mas muitas vezes falava só com o silêncio. Do seu olhar sempre atento, nada escapava. Observava tudo ao seu redor e sabia a hora certa de intervir, mostrar o caminho certo, quando achava que o jogo na roda tava indo pro lado errado. Até gostava de um jogo mais apertado, aquele em que o capoeira tem que saber se virar pra não tomar um pé pela cara. Mas só quando via que os dois tinham "farinha no saco" pra isso. João nunca permitiu que um jogador mais experiente ou maldoso abusasse de violência contra um outro inexperiente ou mal preparado.

Quando tinha mulher na roda então, aí é que o velho capoeirista não deixava mesmo que nenhum marmanjo tirasse proveito de maior força física ou malandragem pra cima de uma moça menos avisada no jogo, coisa comum na capoeira que é ainda muito machista. A não ser que ela tivesse como responder à provocação na mesma moeda. E era cada bronca quando via sujeito tratar mal uma mulher na roda, misericórdia ! Afinal, ele sempre dizia que "a capoeira é uma dança, então como é que você vai tirar uma mulher pra dançar e bater nela ?". Não pode !
A simplicidade, a generosidade, a humildade, a paciência, a sabedoria, a fala mansa e contida, sem necessidade de intermináveis discursos de auto-promoção, eram as características mais notáveis de João Pequeno, próprias de um verdadeiro mestre. Muito diferente do que se vê na grande maioria dos mestres da atualidade, diga-se de passagem, que auto-proclamam sua importância para a capoeira, que fazem e acontecem… que batem no peito e falam, falam, falam.
Nesses quase 20 anos de convivência muito próxima a João Pequeno, tive o privilégio e a oportunidade de aprender algumas das mais caras (e raras) lições de vida e humanidade, que jamais teria aprendido em qualquer universidade, nem sequer poderia obter através de algum diploma qualquer que fosse. Esse homem analfabeto que nunca frequentou os bancos da escola, foi responsável por um legado de ensinamentos que orientam milhares e milhares de pessoas em nosso país e também no mundo todo, que reconhecem o valor de João Pequeno como um dos mais importantes mestres da cultura popular e da tradição afro-brasileira de todos os tempos.
João Pequeno representa a voz de todos os excluídos, marginalizados, oprimidos que através da capoeira encontraram uma forma de lutar e resistir, manter viva a tradição de seu povo e dar legitimidade a uma cultura que foi sempre perseguida e violentada nesse país. O velho capoeirista soube conduzir muito bem sua missão de liderança, responsável pela recuperação da capoeira angola a partir da década de oitenta do século passado, quando após a morte do Mestre Pastinha, se encontrava em franca decadência. Quando se instalou no Forte Santo Antonio em 1981, João iniciou a partir de sua academia um movimento importantíssimo de revalorização da capoeira angola, fazendo com que ela se difundisse e se consolidasse como expressão da tradição popular afro-brasileira, presente hoje em mais de 160 países.
Mas João Pequeno nunca precisou ficar afirmando isso por aí, nem tampouco dizer da sua importância para a capoeira. João é considerado um dos grandes baluartes da capoeira angola, mas ele nunca saiu proclamando isso para ninguém. Na sua humildade nos ensinou que o reconhecimento do valor do mestre tem que vir dos outros, da comunidade da qual faz parte e nunca do próprio discurso muitas vezes carregado de vaidade e arrogância. João simplesmente jogava e ensinava sua capoeira. E por isso era grande !
E de lá, das terras de Aruanda continuará a iluminar os caminhos de todos nós.
João Pequeno não morreu !

* Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é capoeirista, sambista, cineasta e professor da Universidade Federal da Bahia.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mestre Bel lança livro sobre poeta negro


Aloísio Resende, poeta dos candomblés: histórias das populações negras em Feira de Santana/Ba, é o título do livro organizado pelo mestre Bel e será lançado no dia 17 de novembro como parte da programação do I Seminário Internacional de Relações Raciais na Amazônia. O livro é constituído de alguns ensaios sobre a história de um poeta negro que viveu no interior da Bahia na década de 1930 e se utilizava da literatura para defender os candomblés baianos. O livro conta ainda com o prefácio da profª Drª Celeste Pinto, docente da UFPA/Cametá. Estejam tod@s convidad@s para este lançamento.

MALUNGO apoia Seminário Internacional sobre Relações Raciais na Amazônia



O Malungo Centro de Capoeira Angola CONVIDA ao tempo que informa à comunidade capoeirística que está apoiando o I Seminário de Relações Raciais na Amazônia e o III Encontra da Consciência Negra da UFPA. A natureza destes eventos corresponde a agenda de interesse do malungo, a saber: as questões que envolvem a história das culturas negras no Brasil. Para o Malungo, a Capoeira é o portal de entrada para entender a nossa história, mas devemos está atentos a outras experiências vivenciadas pela população negras no Brasil. Na programação consta a participação dos malungos Augusto Leal como palestrante e organizador e o Mestre Bel com uma bela oficina de capoeira angola e responsável pela Coferência de Encerramento. Confira a baixo toda a programação:


I SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE RELAÇÕES RACIAIS NA AMAZÔNIA/III SEMANA
DA CONSCIÊNCIA NEGRA

PROGRAMAÇÃO: CONFERÊNCIAS, MESAS-REDONDAS, OFICINAS E HOMENAGENS
Programação dos Eventos:

Dia 16/11/2011 – Quarta Feira – Início dos Eventos nas Vilas de Juaba & Carapajó
8hs às 9hs – Abertura do Evento
9hs às 12hs – Oficinas e Mini-cursos
14hs às 18hs – Amostra de filmes

Dia 17/11/2011 – Quinta Feira – Início do Evento no CUNTINS
8hs às 12hs – Credenciamento
9hs às 12hs – Amostra de Filmes (professores Ivo Silva, Jose Junior e
Elias S. Diniz)
15hs às 17hs – Abertura do evento:
Prof. Dr. Gilmar Pereira da Silva;
Prof. Msc. Doriedson Rodrigues;
Profª. Drª. Benedita Celeste de Moraes Pinto;
Representante de docentes;
Representantes de Remanescentes de Quilombolas;
Representantes de Movimentos Sociais;

17hs às 19hs – Conferência de abertura: O CORAÇÃO DA ÁFRICA E A ÁFRICA
DO MEU CORAÇÃO: O DIÁLOGO DA IDENTIDADE.
CONFERENCISTA: Prof. Dr. Robert L. Adams Jr. (King Center – Atlanta/Geórgia)
MEDIADORA: Profª. Drª. Vanicleia Silva Santos (UFMG)
19hs às 21hs – Mesa-Redonda: EDUCAÇÃO, LINGUAGEM E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS
PALESTRANTES: Prof. Msc. Doriedson Rodrigues (UFPA/Cametá); Profª.
Drª. Regina Célia Cruz (UFPA/Belém); Profª Drª. Leopoldina Maria
Araujo (UFPA/Belém); Prof. Dr. Gilmar Pereira da Silva (UFPA/Cametá);
Prof. Dr. José Pedro Garcia Oliveira (UFPA/Cametá)
21hs às 22h - LANÇAMENTO DE LIVROS & ATIVIDADE CULTURAL

Dia 18/11/2011 – Sexta Feira
8hs às 12hs – Oficinas e Mini-cursos
15hs às 16:50hs – Grupos de Trabalho
16:50hs às 17:20h - Intervalo
17:20hs às 19hs - Mesa-Redonda: HISTÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA
PALESTRANTES: Drª. Profª Wilma Aparecida de Pinho (UFPA-Altamira);
Prof. Msc.José do E. Dias Junior (UFPA/Cametá); Profª. Msc. Decleoma
Lobato Pereira (AAFCP-AP); Prof. Haroldo Barros (NTC)
19hs - ATIVIDADE CULTURAL:

Dia 19/11/2011 – Sábado
8hs às 12hs – Mini-cursos
15hs às 16:50hs – Mesa-Redonda: EXPERIÊNCIAS, SABERES E IDENTIDADES
AFRO-TOCANTINA
PALESTRANTES: Mestrando Paulo Cametá (Capoeira Regional); Profª.
Cecilia Tavares (Bambaê do Rosário/Juaba); Dmitryus Braga Pompeu
(SECULTD/Cametá), Profª. Katiuscia de Paula Cabral Vieira (UFPA);
Prof. Wilson Pereira Costa (UFPA); Giovanildo Machado Rodrigues
(Povoação de Tomásia)
16:50hs às 17:20hs - Intervalo
17:20hs às 19hs - Mesa-Redonda: ÁFRICA, HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA
PALESTRANTES: Profª. Drª. Vanicleia Silva Santos (UFMG); Profª. Msc.
Maria Roseane Corrêa Pinto Lima (UFPA/Bragança); Prof. Dr.Robert L.
Adams Jr. (King Center – Atlanta/Geórgia)
19hs às 21hs – Conferência de Encerramento: POPULAÇÕES NEGRAS:
EXPERIÊNCIAS E HISTORIOGRAFIA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS
CONFERENCISTA: Prof. Dr. Josivaldo Pires (UNEB)
MEDIADOR: Prof. Luiz Augusto Leal (UFPA/Cametá)
21hs - ATIVIDADE CULTURAL

GRUPOS DE TRABALHO

GT História e Culturas Afro-brasileiras (Coordenação: Prof. Dr. Carlos
Leandro Esteves & Prof. Msc. José do E. Dias Junior)
GT Literatura, memória e linguagem (Coordenação Prof. Mcs. Doriedson
Rodrigues; Profª. MSC. Ivone dos Santos Veloso – UFPA/Cametá)
GT Educação e Relações Raciais (Coordenação: Profª. Drª. Wilma de
Aparecida de Pinho – UFPA/Altamira)
GT Gênero, Cultura e Religiosidade (Coordenação: Profª. MSc. Valdete
Leal – UFPA/Cametá ou Profª. Gilcilene Dias da Costa –UFPA/Cametá)

OFICINAS:

Oficina Capoeira Angola (Mestre Bel – Malungo Centro de Capoeira Angola)
Oficina Capoeira Regional (Mestrando Paulo Cametá – Associação de
Capoeira Senzala)
Oficina Samba de Cacete e Banguê (Prof. Roble Tenório Moraes e Adriele
de Paula Silva de Moraes)
Oficina Jogos Infantis Africanos e Afro-Brasileiros (Prof.ª MSC.
Débora Alfaia e Prof. Claudio Lopes)


HOMENAGENS DOS EVENTOS:
Professor, escritor, pesquisador e historiador Vicente Salles
Componentes do Grupo Cultural Marierrê-Arrá da Vila de Carapajó

INSCRIÇÕES E PRAZOS PARA PARTICIPAÇÃO
INSCRIÇÕES:
AS INSCRIÇÕES PODEM SER REALIZADAS NA FACULDADE DE HISTÓRIA DO CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DO TOCANTINS/UFPA-CAMETÁ
Trav. Padre Antônio Franco, n.º 2617, bairro da Matinha, Cametá-PA
Horários: das 8h às 12h e das 16h às 20h
Ou através do:
E-mail: consciencianegra.cameta@gmail.com
Blog: www.historiaemcampo.blogspot.com

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Título de Doutor para o capoeira Augusto Leal!

Caros malungos companheiros de viagem, nosso irmão de comunidade, Treinel Augusto Leal, está preste a adquirir o título de Doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela UFBA!
Conheci Augusto em 1999 quando desenvolvia seus estudos de Mestrado em História Social na UFBA (Salvador). Ele me aparece na roda de capoeira para me fazer uma rápida visita a convite de uma amiga. As coisas não foram como ele imaginava. No mesmo ano me convidou para visita-lo no Pará, onde eu conheci os irmãos e irmãs que hoje fazem parte do Malungo centro de Capoeira Angola. De lá para cá compartilhamos os projeto de capoeira e da própria universidade, pois esta deve ter algum significado político na nossa trajetória de capoeiragem. A pesquisa sobre as populações negras é um desses elementos políticos que nos apropriamos para dar conta inclusive das nossas ações no mundo da capoeiragem. Desta forma, este dia que o Treinel Augusto Leal torna-se o Doutor Luiz Augusto Pinheiro Leal, será um dia de celebração para o Malungo e seus companheiros.
A tese, que será defendida no dia 28 de novembro, no CEAO/UFBA, intitula-se: “NOSSOS INTELECTUAIS E OS CHEFES DE MANDINGA”: repressão, engajamento e liberdade de culto na Amazônia (1937-1951). Trata da mobilização dos intelectuais em Belém de 1938 e a repercussão desse envolvimento com a temática negra em suas obras e futuras carreiras. Em especial destaca os trabalhos de Dalcídio Jurandir, Nunes Pereira, Bruno de Menezes e Levi Hall de Moura.
O Malungo aguarda a tod@s para presenciar este feito!!!
Mestre Bel

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Vicente Sales, autor de "O negro no Pará", recebe título de Doutor Honoris Causa




O Malungo Centro de Capoeira Angola, parabeniza o professor Vicente Sale pelo reconhecimento oficial de sua obra, a qual inclui importantes estudos sobre a cultura afro-amazônica. O professor Vicente Sales é um dos responsáveis pela introdução dos estudos da capoeira no Para tendo influenciado o treineu Algusto Leal em seus trabalho de pesquisa especialmente o que deu oriegem ao livro "A política da capoeiragem" (Edufba, 2008), bibliografia de consulta obrigatória para as atuais pesquisa sobre o tema no Brasil. Salve então ao mestre Vicente Sales. Segue a nota extraída do site da UFPA:

Um dos intelectuais mais notáveis do Estado, Vicente Juarimbu Salles, recebeu da Universidade Federal do Pará (UFPA) a outorga do título Doutor Honoris Causa, o mais alto dos graus universitários, normalmente concedido a personalidades que tenham se distinguido pelo saber ou pela atuação em prol das Artes, das Ciências, da Filosofia, das Letras ou do melhor entendimento entre os povos. A concessão foi indicada pelo reitor da UFPA, Carlos Edilson Maneschy – para quem a obra de Vicente Salles é “um legado de qualidade acadêmica e cultural de inegável valor.”

Aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário (Consun), a outorga foi votada em reunião extraordinária, nesta segunda-feira, 19, a qual contou com mais de 60 conselheiros presentes, de um total de 98 membros. A votação seguiu o Regimento Geral da Universidade, o qual prevê que a concessão deste grau deve ter o voto favorável de, pelo menos, dois terços (2/3) dos membros do colegiado competente.

O parecer nº20/2011 da Câmara de Legislação e Normas (CLN), que se encontrava em fase de apresentação, teve dispensa de interstício para ser julgado de imediato, a tempo de que a outorga do título possa homenagear Vicente Salles em concomitância com as comemorações pelos seus 80 anos de vida, os quais serão completados no próximo dia 27 de novembro. “Essa será, sem dúvida, uma ocasião propícia para que a UFPA possa reconhecer os méritos universais de sua obra”, afirmou o reitor Carlos Maneschy.

Coroamento de uma trajetória de vida - Em entrevista concedida por telefone, Vicente Salles, que atualmente reside em Brasília, demonstrou-se sensibilizado. “Aos 80 anos de idade, estou pronto para receber muita coisa, as melhores e, até mesmo, as piores notícias. Essa homenagem a mim concedida pela UFPA, certamente, é uma boa notícia que recebo como o coroamento de toda uma trajetória de vida. Um título grandioso que chega a um caboclo do interior e que recebo com muita gratidão”, disse o pesquisador, após ser informado pelo reitor Carlos Maneschy acerca da honraria.

Vicente Salles é natural da vila de Caripi, município de Igarapé-Açu, interior do Pará, donde saiu cedo para estudar na capital, Belém. Formou-se como Bacharel em Ciências Sociais pela antiga Universidade do Brasil, atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Aos 23 anos, começou um trabalho pioneiro de pesquisa do Carimbó, ritmo musical popular próprio da cultura paraense. E não apenas. Sua extensa obra dedica-se, de modo geral, à cultura popular e à música, e, de modo específico, à história do Pará, ao povo local, à literatura de autores paraenses: uma produção que soma mais de 25 livros e 50 microedições, entre os quais, estão títulos como: O negro no Pará, O memorial da Cabanagem e Épocas do Teatro do Grão Pará.

Títulos - Membro da Academia Brasileira de Música, seu catálogo de obras, publicado em 2009, relaciona 661 títulos, entre bibliografia básica e bibliografia geral. De acordo com a esposa do pesquisador, Marena Salles, grande parte de sua obra, no entanto, ainda permanece inédita. “Nenhuma pesquisa sobre música e história do Pará, ou sobre as áreas em que é referência, pode ser realizada, hoje, sem mencioná-lo”, afirmou.

Vicente Salles é, também, membro da Academia Nacional de Música; do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; da Comissão Nacional do Folclore, entre outros órgãos e entidades. Durante toda sua vida, recebeu diversos prêmios e o título Doutor Honoris Causa da Universidade da Amazônia (Unama), em 2002.

Museu da UFPA - Na UFPA, Vicente Salles foi diretor do Museu Universitário (MUFPA) por dois anos, tempo que utilizou para organizar seu acervo de partituras manuscritas e impressas, discos, fitas, imagens, livros, folhetos e recortes de jornais. Foi também no MUFPA que implantou projetos de pesquisa sobre a cultura popular do cantochão paraense, bandas de música e edição de partituras musicais em computador.

Atualmente, o Museu da UFPA abriga o Acervo Vicente Salles, no qual está a coleção completa das microedições do pesquisador (Leia no Jornal Beira do Rio a reportagem Projeto recupera Coleção Vicente Salles).

Justiça a um intelectual ímpar - Durante a reunião do Consun que votou a concessão do título, diversos professores da UFPA manifestaram-se sobre a colaboração inestimável de Vicente Salles para a produção de conhecimento sobre o Pará e a Amazônia. Para o relator do processo e professor do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) da UFPA, Antônio José Mattos, o título Honoris Causa “faz justiça a um intelectual ímpar”, que tem "a obra de um gigante”. Da mesma forma, o pró-reitor de Extensão, Fernando Arthur Neves, disse que “o título concedido engrandece não apenas o professor Vicente Salles, mas também a própria UFPA.”

O diretor do Instituto de Ciências da Arte (ICA) da UFPA, Celson Gomes, destacou a importância do pesquisador para essa área do conhecimento, especialmente para a área de Música. “Não por acaso, Vicente Salles foi o homenageado do V Encontro Nacional da Associação Brasileira de Etnomusicologia, realizado em Belém, em maio de 2011”, lembrou.

Interdisciplinaridade - Já o vice-reitor Horácio Schneider destacou, por exemplo, a importância da obra de Vicente Salles para a Biologia, mais especificamente para os estudos de antropogenética. “O livro O Negro no Pará é uma obra de referência, que pavimentou muitas das pesquisas do Grupo de Estudos em Genética de Populações Humanas, do qual eu faço parte”, contou. O diretor adjunto do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFPA, professor Nelson Souza Júnior, afirmou que “Vicente Salles é um criador no sentido pleno da palavra, o qual consolidou a área de estudos amazônicos e gerou novas possibilidades de pesquisa.”

A cerimônia de entrega do título Doutor Honoris Causa a Vicente Salles ainda será agendada em data próxima. A expectativa é que o pesquisador possa vir a Belém para receber a homenagem.

O texto deste post foi extraído de: www.portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php