terça-feira, 29 de setembro de 2009

Jerônima, Pé de Anjo e o VI Capoeira Mulher



O Malungo Centro de Capoeira Angola participou do 2º dia do VI Encontro Capoeira Mulher e pode comentar sobre a importância do novo trabalho (CAPOEIRA, IDENTIDADE E GÊNERO) que estará sendo lançado em Belém, no dia 23 de outubro, para o aprofundamento das ações femininas dentro da capoeira. Lembrando que é no Pará que o registro mais antigo da presença feminina na capoeira aparece (Jerônima, em 1876), a palestra de Augusto Leal revisitou a temática da presença da mulher na capoeira até a atuação da saudosa Sílvia Leão - Pé de Anjo, que partiu ainda nas primeiras versões do Capoeira Mulher, mas que foi uma das principais precursoras do movimento.
Por ocasião do evento houve um pré-lançamento do novo livro e apresentação do mesmo para a comunidade paraense. A palestra de aprofundamento do conteúdo será feita por ocasião do lançamento do dia 23, com a presença dos dois autores.
Parabéns a todas às organizadoras e participantes do Capoeira mulher deste ano.
Viva a mulher capoeira!




Fotos: Marzane Souza e Augusto Leal

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VI ENCONTRO CAPOEIRA MULHER



Ainda no "Sete de setembro", o Malungo Centro de Capoeira Angola foi convidado para participar do VI Encontro Capoeira Mulher que se realizará em Belém entre os dias 18 e 20 de setembro. Estivemos na roda de divulgação e, na ocasião, além de anunciar o pré-lançamento do livro por ocasião do evento, ainda foi possivel lembrar que o novo livro possui capítulos e discussões sobre a história da mulher na capoeira e que sua contrução acompanha o Movimento Capoeira Mulher desde o seu primeiro encontro. Por isso, o livro foi dedicado também à memória da capoeirista Silvia Leão - Pé de Anjo, precursora do Movimento e falecida à alguns anos.

Desse modo o Malungo Centro de Capoeira Angola saúda a importante iniciativa: Viva a mulher capoeira! Viva Sílvia Pé de Anjo!

A PÁTRIA DO CAPOEIRAS - O Malungo no "Sete de setembro"


Na última segunda-feira ocorreu no Brasil inteiro mais uma comemoração do "Sete de setembro", referente ao dia da Pátria, que comumente é marcado por desfile de militares e exibições da força bélica brasileira. Além dos desfiles, pouco se reflete, na imprensa, sobre os significados de cidadania, justiça e identidade entre os próprios brasileiros. Conforme os moldes consagrados pelos militares da primeira República, a pátria se confunde com as forças armadas. Contudo, quem disse que o discurso midiático conservador é partilhado por todo mundo? Além do importante movimento intitulado "Grito dos excluídos", que se manifesta para relembrar as injustiças na sociedade brasileira, outros grupos populares também se manifestaram através da vivência de seu modo próprio de comemoração. Nesse caso, destacamos aqui a nossa comunidade "capoeiral" do Norte do Brasil.
Já é tradição em Belém do Pará que diversas rodas de capoeira sejam constituidas no dia "Sete de setembro". Nesta segunda-feira, havia cerca de 7 rodas ocorrendo ao mesmo tempo. O Malungo, que já esteve presente em anos anteriores, foi convidado a participar da roda organizada pelos mestres Laíca e Silvério. Estiveram presentes Augusto Leal e Douglas. A brincadeira foi bonita e na ocasião foi possivel encontrar velhos camaradas como os mestres Bezerra e Fernando Banjo, de Macapá. Foi anunciado o lançamento do livro CAPOEIRA, IDENTIDADE E GÊNERO, em Belém e Cametá. Inclusive havendo a primeira aquisição de um exemplar por parte do professor Faquinha, que acompanha os estudos sobre a capoeira no Brasil e já participou dos vários lançamentos d'A POLÍTICA DA CAPOEIRAGEM. Para Faquinha, nós capoeiras, devemos ser os primeiros a valorizar a nossa história e cultura, senão vamos continuar sempre sendo tratados como agentes culturais sem valor na sociedade brasileira.

EXPLICAÇÃO HISTÓRICA
A presença de capoeiras no "Sete de setembro", longe de significar uma concordância com o discurso militar e midiático sobre a pátria brasileira, corresponde a uma reapropriação do espaço que a eles sempre foi negado. No passado, quando os capoeiras ainda não podiam construir seus próprios intrumentos de marcação ritmica para seus jogos, era o acompanhamento de bandas marciais que garantia a alegria de nossos ancestrais. Em Belém, tal como no Rio e Salvador, esses fatos foram abundantemente denunciados pela elite, através da imprensa de época. Acompanhar as bandas, funcionava como momento de lazer, em alguns casos, ou rito de iniciação dos "caxinguelês" (meninos capoeiras), em outros. De todo modo, os capoeiras sempre estiveram fazendo sua própria festa paralelamente, e não em conjunto, com os festejos militares ou religiosos.
Em Belém, o "Sete de setembro" se caracterizava até o ano passado pelo disfile militar por uma importante avenida paralela à praça da República. Os capoeiras, ao invés de seguirem ou assitirem os desfiles, sempre se voltaram para o espaço interno da própria praça para realizar suas rodas. Este ano o defile militar foi transferido para outro lugar - a Aldeia Cabana -, mas quem disse que os capoeiras acompanharam a mudança? As rodas permaneceram na praça da República e com mais alegria ainda, pois não houve mais disputa por espaço, tal como ocorria nos anos anteriores. O grito do "iê" agora poderia ser acompanhado por um "viva a pátria", mas, não a dos opressores. Agora seria a vez da pátria dos capoeiras.

domingo, 6 de setembro de 2009

O Malungo visita perceiros de vadiagem

O brinquedo da capoeira quando começa, não tem realmente hora para terminar. Foi desta forma que ocorreu na Associação de Capoeira Oásis na última sexta-feira (dia 04), quando o Malungo surpreendeu a Escola de Capoeira do colega Contrmestre Rone Rasta (detalhe) em Feira de Santana. Do Malungo estiveram lá: Bel, Rios Vibration e Cabelo de Fogo. Seguem alguns momentos desta brincadeira.





terça-feira, 1 de setembro de 2009

O poder da cultura popular em Feira de Santana

No último dia 30 de agosto uma das principais avenidas de Feira de Santana, a Avenida Getúlio Vargas, vibrou com as cores, vozes e movimento da cultura popular. Ralizava-se a 10ª Caminhada do Folclore. Organizado pelo Centro Universitário de Cultura e Arte da Universidade Estadual de Feira de Santana-UEFS, a Caminhada do Folclore tem representado um dos mais importantes eventos do gênero que tem ocorrido na Bahia nos últimos dez anos. Independente da consepção que tem a Universidade acerca da cultura popular e do próprio evento em questão, é extraordinário o que acontece na Avenida. São mais de uma centena de grupos representando diferentes expressões da cultura imaterial brasileira. Obviamente, o termo “Folclore” é insuficiente para identificar a diversidade de manifestações, pois encomntram-se desde samba-de-roda, capoeira e bumba-meu-boi até blocos afros e afoxés, bandas de Filarmônicas, representação simbólica dos candomblés e diferentes símbolos da cultura popular sertaneja, a exemplo dos cangaceiros cantadores de Repente e outros mestres da viola. Esses grupos estavam na Avenida, não simplesmente atendendo uma solicitação da Universidade. Essa instituição foi feliz na idealização do evento, mas cada grupo gritava cada um a sua forma por política pública de fomento. E é este também o grito do Malungo Centro de Capoeira Angola, parabenizando a UEFS ao tempo que se solidariza com estes grupos da cultura popular na busca de maiores condições políticas para a perpetuação de suas práticas. Seguem alguns momentos que levaram brilho à Avenida na Caminhada do Folclore.


Bumba-meu-boi de Serrinha


O corpo que fala na dança do Orixá


O "Rasta", figura folclórica de Feira de Santana


A força do samba rural


A religião de tradição africana é lembrada na Avenida


Asa Filho e sua viola


Rios Vibration e Neto de Gandy


Oriquerê - Angoleiros do Sertão e Bel - Malungo


Alagoinhas e a força de sua cultura