quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Confraternização do Malungo de Belém



Ontem, dia 23 de dezembro, realizamos a confraternização de fim de ano com as crianças e responsáveis que participam do Malungo Centro de Capoeira Angola de Belém. Foi uma festa muito bonita, onde pais e amigos puderam colaborar para que houvesse, além da roda das crianças, comidas, bebidas e presentes para as crianças participantes e algumas da comunidade. Agradecemos aos pais presentes, em especial às senhoras Nira, Carla e Shirley; aos colaboradores, Marzane e Sandra; Carlos, fotógrafo oficial do Malungo; José Leal; ao camarada Douglas e a todos os participantes. Um feliz 2009!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Centro de capoeira angola promove evento em Feira de Santana


Neste final de semana tem Brinquedo dos Angolas em Feira de Santana. A expressão utilizada pelos antigos para identificar a prática da capoeira na Bahia, dá nome ao evento promovido pelo Malungo Centro de Capoeira Angola.

As peripécias dos angolas da Princesa do Sertão e convidados começam no sábado (6), a partir das 17h30, com a apresentação da Orquestra do Malungo. Em seguida, por volta das 18 horas, será exibido o filme-documentário “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras”, do cineasta, capoeirista e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Pedro Abib.

Logo depois, será iniciada a mesa redonda Conversando sobre diáspora africana, sambas e capoeiras, com Joceneide Cunha, da Universidade Tiradentes (Unit – Sergipe), Treinel Augusto Leal, do núcleo Malungo, do Pará e também com a participação de Pedro Abib. Para concluir o primeiro dia de atividades, uma roda aberta de capoeira.

No domingo, Augusto Leal lança o livro “A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá”, a partir das 8h30, antecedendo a segunda roda de capoeira do evento. O encerramento do encontro está previsto para ocorrer às 12 horas.

O Brinquedo dos Angolas tem o apoio da Faculdade Nobre (FAN) e será realizado no Centro Cultural da Academia Point da Malhação, na Rua Elpídio Nova, no bairro São João, próximo ao Shopping Boulevard. Outras informações podem ser obtidas com o Contramestre Bel Pires, pelo telefone 75-9193-9376 ou pelo endereço eletrônico: www.malungoangoleiro.blogspot.com.
MEMÓRIAS DO RECÔNCAVO
Contemplado pelo edital Capoeira Viva 2006 do Ministério da Cultura do Governo Federal, “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” é um documentário que aborda a capoeira e suas histórias num dos prováveis locais de seu surgimento no Brasil: o Recôncavo Baiano.
A partir de depoimentos de antigos capoeiras moradores da região e também de estudiosos e pesquisadores, o cineasta Pedro Abib buscou reconstruir a memória sobre os fatos e personagens envolvidos com manifestação da cultura afro-brasileira. O filme-documentário também procura reconstruir a história de um famoso personagem da região e ícone da capoeira, o lendário Besouro Mangangá.

Elsimar Pondé
Repórter
In http://www.fsonline.com.br/lermateria.asp?id=18525&autor=43

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O BRINQUEDO DOS ANGOLAS


Participantes do Brinquedo dos Angolas realizado no dias 6 e 7 de dezembro de 2008, em Feira de Santana-BA. A família Malungo se encontra para celebrar com vários parceiros e amigos as novas produções sobre a história e cultura da capoeira no Brasil.
Em breve, mandaremos mais notícias.
Abraços!
Malungo do Norte.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Mestre Romão visita o Malungo



No sábado, dia em que comemoramos o nosso primeiro mês de trabalho, recebemos a ilustre visita do Mestre Romão, com quem tivemos o prazer de trocar idéias e partilhar uma pequena vadiagem de recepção. Foi um encontro restaurador de energias, que prepara a partida de Augusto Leal para o "brinquedo dos angolas" que irá ocorrer em Feira de Santana-BA, nos dias 6 e 7 de dezembro. Em breve o contramestre Bel estará conosco, em uma bela vadiação no Barreiro, e as novas sementes serão apresentadas ao camarada. Iê, viva o Malungo!

1º mês do Malungo no Barreiro...



O Malungo Centro de Capoeira Angola de Belém caminha em "braços de maré" com seus pequenos caxinguelês. A parceria com o camarada Douglas Miranda está apresentando seus primeiros resultados. Os treinos giram tanto em torno da movimentação corporal como pela aprendizagem da musicalidade da capoeira angola. Além disso, conversas sobre nossa história de resistência e sobre a cultura negra também são acrescentados no roteiro do ensino. As vezes o salão fica cheio. Outras ficamos poucos. Não temos pressa. Nesse processo queremos construir um grupo de angoleiros que sejam de valor, que possamos contar não somente nas vitórias mas também nas responsabilidades. Valeu, camará!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Malungo reúne capoeiras para conversas e brinquedos


O MALUNGO Centro de Capoeira Angola, é uma entidade cultural de fomento à prática e outras formas de produção de conhecimento da capoeira. Suas atividades se desenvolvem em dois núcleos: Feira de Santana-BA e Belém-PA.
Cumprindo a sua agenda de atividades, o Malungo convida a todos para participar deste momento de brincadeira, aprendizagem e muita alegria, que denominamos de “O brinquedo dos angolas: conversando e jogando capoeira”.

Axé!

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O brinquedo dos angolas, era uma expressão que os antigos utilizavam para identificar a prática da capoeira na Bahia. Como encontravam-se os capoeiras, em sua grande maioria, entre os negros angolas, fazendo aquelas peripécias todas, alguém intimava: “olha o brinquedo dos angolas!”. Pelo menos, o mestre Pastinha acreditava que por isso chamou-se capoeira angola.


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PROGRAMAÇÃO

Sábado (06/12)
17:30— Orquestra Malungo Centro de Capoeira Angola

18:00h—Exibição do filme-documentário: “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros capoeiras”, de Pedro Abib.

19:00h – Conversando sobre diáspora africana, sambas e capoeiras...
# Joceneide Cunha (UNIT-SE)
# Pedro Abib (Academia do Mestre João Pequeno de Pastinha/UFBA)
# Treinel Augusto Leal (Malungo-PA)

20:00h—O brinquedo dos angolas—roda aberta
Domingo (07/12)
08: 30h – Lançamento do livro: A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá, do Treinel Augusto Leal.
9:00h - O brinquedo dos angolas – roda aberta
12:00h—Encerramento

RESPONSÁVEIS
Contramestre Bel (FSA-BA)
belpires1@ig.com.br
(75) 9131-9376

Treinel Augusto Leal (Belém-PA)
Sou.amazonia@gmail.com
(91) 3233-5322

LOCAL
Centro de Cultura, Artes e Desporto da Academia Point da Malhação . Rua Elpidio Nova, 1119, São João (antigo Cel. José Pinto). Feira de Santana-BA.
Próx. ao Boulevard Shopping (Iguatemi) e Jocre Material de Construção.

sábado, 1 de novembro de 2008

Malungo inicia trabalho no Barreiro, Belém do Pará



Na última quinta feira, 30 de outubro, reiniciamos as atividades do Malungo Centro de Capoeira Angola em Belém. Fomos acolhidos pela Comunidade N. S. das Graças, no bairro da Sacramenta/Barreiro. O trabalho está em fase inicial, mas já inspira grandes possibilidades para os novos caminhos da capoeiragem no Pará.
Toda contribuição é bem vinda!
Um abraço,
Augusto Leal

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

1º LIVRO SOBRE A HISTÓRIA DA CAPOEIRA NA AMAZÔNIA


O livro A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906), escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal, será lançado na Feira Panamazônica do Livro (Centro de Convenções – HANGAR), no dia 23 de setembro, às 19 horas.

A obra faz um relato sobre a história da capoeira no Brasil desde o final de século XIX. Tem como foco a região do Pará, onde a capoeira tem peculiaridades diferentes da região da Bahia e do Rio de Janeiro. O livro é dividido em três capítulos e mostra a relação da capoeira com o Boi-bumbá e a capangagem. Revela, também, a participação da capoeiragem na implantação da República no Brasil e as campanhas repressivas à capoeira e à "vagabundagem" na cidade de Belém. No fim da obra encontra-se uma lista com os capoeiras do Pará antes da década de 70, assim como, um elucidário com termos característicos do lugar e da época citada.

Sem dúvida, A política da capoeiragem é uma valiosa contribuição para a historiografia da capoeira no Brasil. Leia abaixo a opinião de duas grandes autoridades do estudo sobre o negro no Brasil que se pronunciaram sobre a obra:

"Ao mesmo tempo, a capoeira é transformada na competente pena de Luiz Augusto em uma janela para se observar a história dessa classe trabalhadora. Neste e em outros aspectos, é especialmente criativo o uso que ele consegue fazer da literatura como fonte para a história que narra."
João José Reis

"O trabalho realizado sob a orientação do mestre João José Reis está muito bem documentado e agora se torna referência fundamental não só aos estudos paraenses como à própria bibliografia brasileira da capoeiragem, enriquecida com uma pesquisa de alto nível acadêmico (...). Continuo martelando na velha tecla de que povo que não tem memória não tem o que defender. É preciso conhecer nosso passado de lutas. Nós que vivemos numa região colonial não podemos tolerar o conformismo dos colonizados."
Vicente Salles

O quê: Lançamento do livro A política da capoeiragem: a história social da capoeira e do boi-bumbá no Pará republicano (1888-1906), escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal
Quando: 23 de setembro, terça-feira.
Onde: FEIRA PANAMAZÔNICA DO LIVRO (Centro de Convenções de Belém – HANGAR)
Horário: 19 horas
Mais: O livro é uma publicação da Editora da UFBA, com 237 páginas, e terá o preço de R$ 25,00 (vinte e cinco reais).

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A visibilidade da Capoeira na literatura

Veremos o que diz o poema de Cleberton Santos extraído do livro de Gabriel Ferreira. Esboços – ilustrações de textos. Feira de Santana: Edições MAC, 2006, p. 60-61.



A POÉTICA DO GINGADO





















a roda
pernas cortavam a dança alucinada dos capoeiras
tudo era força
agilidade dos olhos que pulavam
braços e cabelos que não respeitavam
a gravidade imposta aos humanos
eram negros fortes negros brancos capoeiras!

os homens
homens de todos os dias
operários trabalhadores construtores
de máquinas, imagens e martelos
com seus punhos unidos
ajoelhados pelo ritual
cruzam olhares vibrando palmas
cores amarradas pela cintura
gestos que desafiam o abismo
e todas as almas sentem o canto de pedra do berimbau

a dança
gingavam de todos os lados
ritmos e cores abraçavam-se no espaço
passos, compassos e um corpo no chão
o capoeira pula sobre todas as cabeças
e recomeça o gingado malandro
de outro canto da capoeira


Cleberton Santos
Poeta e crítico literário, nasceu em 1979, em Propriá-SE. Atua em Feira de Santana-BA. Em 1999, publicou O opúsculo poético - Ópera Urbana, pelas edições MAC, Feira de Santana-BA

Gabriel Ferreira
Artista plástico, nasceu em 1978, em Tanquinho –BA. Atua em Feira de Santana-BA É colaborador do Malungo Centro de Capoeira Angola, já tendo ilustrado, entre outros, o livro No tempo dos valentes: os capoeiras na Cidade da Bahia, de autoria do Contramestre Bel.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Capoeira, patrimônio nacional. E o Pará?



DISCUSSÃO



Autor é historiador e membro do Malungo Centro de Capoeira Angola





Luiz Augusto Pinheiro Leal
Especial para O LIBERAL (Edição de 18/07/2008)



No último dia 15 de julho, após 118 anos de sua criminalização no Código Penal brasileiro, a capoeira foi reconhecida como patrimônio cultural brasileiro. A decisão formal foi aclamada pelos 22 membros do Conselho do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Salvador, Bahia. Entre os benefícios para os capoeiristas estaria o reconhecimento do ofício dos mestres como uma profissão e a classificação das rodas de capoeira como patrimônio imaterial. Na prática os benefícios poderão demorar para se concretizar, mas, sem dúvida, é uma vitória para todos os capoeiras que dedicaram sua vida para este importante saber cultural.
Mas afinal, o que seria a capoeira? Por que deveria ser considerada patrimônio nacional, se geralmente as pessoas dizem que se trata de uma prática cultural baiana? Enfim, o que isso tudo tem a ver com o Pará? Questionamentos como estes são frutos do desconhecimento que a maioria das pessoas tem em relação à história da cultura negra no Brasil. Sabemos que é recente (de 2003) a lei que institui o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira no sistema de ensino nacional. Desse modo, se alguém queria saber algo sobre o samba, o lundu, o carimbó ou a capoeira, não deveria procurar a sala de aula. Só os mestres, os guardiães do conhecimento ancestral, poderiam informar os interessados e, mesmo assim, com o risco de serem ridicularizados.
A capoeira é um saber que confunde os leigos que a observam nas praças e espaços alternativos onde ela é praticada. É dança? É luta? É esporte? Os parâmetros tradicionais de comparação nunca se enquadram na capoeira. Onde já se viu uma dança onde o dançarino é cantador, tocador e dançarino ao mesmo tempo? Que dança seria essa em que os pares se comunicam não apenas pelo ritmo, mas também pelo que é cantado ou tocado nas variações do berimbau, sem coreografia fixa?
Por outro lado, como poderíamos entender uma luta em que os contendores parecem brincar, sorriem e prolongam sua ação através de golpes precisos, mas calculados para prolongar o jogo? Que esporte é esse onde as regras de movimentação são livres e o canto e a música se interrelacionam? Quem já viu um atleta confeccionar seu instrumento esportivo? Na capoeira isso é obrigação.
A capoeira pode ser entendida como um jogo. Um jogo em que a vida dos participantes, ou brincantes, se reflete. Um jogo onde o canto pode ser mais poderoso para derrotar o 'inimigo' do que um certeiro golpe. A música está para a capoeira como o alimento está para o corpo. Contudo, a riqueza contida na capoeira e, ao mesmo tempo, sua originalidade já confundiu muita gente. Um exemplo disso é o esforço que organizações de origens diversas produzem para tirar proveito das características da capoeira como educação física.
A capoeira não é simples educação física. É música, é artesanato, é poesia, é, enfim, criatividade artística. Os mestres se formam através das experiências vividas. Não são formados em bancos escolares. Tem vida árdua para conciliar a sua sobrevivência cotidiana com a prática da capoeira.
PERSEGUIÇÃO
Quando refletimos sobre a capoeira como patrimônio nacional é bom que tenhamos em mente uma informação que foi apagada de nossa memória coletiva. O Pará, tal como o Rio de Janeiro, tem uma grande dívida para com a capoeira e os capoeiristas. No Pará, dezenas de capoeiras, inclusive mulheres, foram presos e deportados para o Amapá após a proclamação da República, em 1889. Houve uma perseguição massiva a todos os que eram acusados de praticar capoeira. Os capoeiras eram acusados de vadiagem, apesar de que todas as listas de capoeiras presos em 1890 informarem que eles possuíam trabalho. Tratava-se de um golpe contra mais uma prática cultural de origem negra.
Na época, o samba, o retumbão, o lundu, o carimbó e o candomblé também eram marginalizados. Vivia-se um projeto nacional de embranquecimento cultural do país. A identidade nacional estava em jogo e o espelho cultural das elites ainda era a Europa. A capoeira, ao contrário das práticas citadas, sofreu uma retaliação nacional devido suas características de atuação na política partidária republicana, tal como fazia na época da monarquia.
Se o Pará foi cúmplice na marginalização da capoeira, que ele seja também em sua valorização como patrimônio nacional. A memória da capoeira paraense precisa ser resgatada. Nomes como o de Pé de Bola e Cabralzinho, ilustres capoeiras paraenses, precisam ser conhecidos como nossos heróis capoeiras. Tal como Zumbi virou símbolo mítico da capoeira nos quilombos, o nosso negro Patriota pode ser imaginado como um grande capoeira do tempo da Cabanagem, afinal a capoeira foi registrada entre nós desde meados de 1849.
Cabe reintegrar a capoeira paraense ao seu lugar de merecimento. Iniciativas, como a lei municipal 8.318, de 20 de maio 2004 (que institui a capoeira no currículo escolar do ensino fundamental de Belém, como conteúdo transversal), já foram tomadas cabe sua implementação definitiva e a imitação da iniciativa por parte do estado. Por outro lado, instituições federais no Pará também pode desenvolver projetos próprios de valorização da capoeira em seu espaço de pesquisa ou estudo.
Que o exemplo da expulsão da capoeira angola de uma importante instituição federal de ensino, em Belém, não seja o único parâmetro seguido. Que o carimbó siga o mesmo caminho.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Capoeira angola em Tremedal, interior da Bahia

O Grupo Capoeira Kizomba de Tremedal, Sudoeste da Bahia, realizou nos dias 10, 11, 12 e 13 de julho de 2008, o IV Festival de Arte Capoeira. O evento contou com capoeiristas de outros estados, a exemplo do mestre Camisa (Abadá) do Rio de Janeiro. O Contramestre Bel (Malungo) ministrou uma oficina de capoeira angola. Segue alguns momentos da oficina, do bate-papo e da roda.






O educador Eduardo D'Amorim, mestre Camisa e o contramestre Bel
em um papo descontraído.

Contramestre Bel e o Mestre Camisa, prontos para "vadiação"

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Malungo assume espaço cultural em Feira de Santana-BA

Centro de Cultura, Artes e Desporto


CONVITE


A Academia Point da Malhação vem através de seu recém criado Centro de Cultura, Artes e Desporto, em parceria com o Malungo – Centro de Capoeira Angola, convidá-lo (s) para o lançamento de mais este projeto em Feira de Santana. Na oportunidade teremos amostras de algumas das atividades que serão ofertadas pelo Centro de Cultura Artes e Desporto, encerrando-se com uma bela Roda de Capoeira.
Contamos com a sua presença.


Data: 17 de julho (quinta-feira)
Horário: 19:00h
Local: Academia Point da Malhação
Rua Elpidio Nova, 1119- São João (antigo Cel. José Pinto) - Feira de Santana-BA
(próx. ao Shopping Iguatemi)




Responsáveis:


Naumar Pedreira
Prof. de Educação Física
75 8152-6746
75 3489-1087
naumarpedreira@ymail.com
naumarpedreira@hotmail.com
Bel Pires
Contramestre de Capoeira
75 9131-9376
75 3624-6236
belpires1@ig.com.br



PROGRAMAÇÃO


19:00h
Apresentação do Projeto: “Centro de Cultura, Artes e Desporto”, da Academia Point da Malhação;
Relatores: Contramestre Bel e Naumar Pedreira

19:10h
Exibição do Documentário: “Capoeira - Paz no Mundo”
Comentários do Contramestre Bel – coordenador do Malungo Centro de Capoeira Angola e historiador das práticas afro-brasileiras.

19: 40h
Dança Afro com a professora Carmem
Dançarina responsável pelas aulas de dança do Centro de Cultura, Artes e Desporto, da Point da Malhação.

20: 00h
Roda de Capoeira
A roda será de livre participação dos capoeiristas convidados.



AXÉ A TODOS!!!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

FEIRA DE SANTANA: A CAPOEIRA NA “PRINCESA DO SERTÃO”




Texto extraído do livro: “A capoeira na Bahia: História e Cultura Afro-Brasileira” (Instituto Maria Quitéria – no prelo). Autoria do Contramestre Bel, mais um fruto dos projetos do Malungo.

A origem da Cidade de Feira de Santana remete ao período colonial. Surgiu de um povoado humilde, onde as casas eram cobertas com palhas, piso de terra batida e paredes de barro amassado, conhecido no sertão nordestino como taipa. As casas e ruas eram iluminadas com lamparinas e lampiões a querosene. Localizada a aproximadamente 110km de distância da Cidade do Salvador, no sentido norte da Bahia, e gozando de certo prestígio no tocante à autonomia política e econômica da Capital, Feira de Santana se tornou ao longo do tempo a maior cidade do interior baiano, com uma população de quase 600 mil habitantes e um dos maiores centros de capoeira do Nordeste. Por razões como estas, em 1919 o senhor Ruy Barbosa, ilustre político baiano, a batizou como “Princesa do Sertão”.
A história da Capoeira em Feira de Santana remete a um período recente. A referência mais antiga que se tem notícia foi a realização de luta livre com participação da modalidade capoeiragem, na década de 1930, inclusive registrado no romance Jubiabá de Jorge Amado. Sendo que na passagem dos anos 1960 para 1970 alguns registros sobre a capoeira feirense começaram ser produzidos.
No início dos anos 1970, a capoeira em Feira de Santana tinha como espaço principal de suas exibições as festas de Largo, principalmente a Festa de Santana, considerada uma das mais pomposas festas em louvor a padroeiras na região. No cortejo da festa não faltava a capoeira, organizada principalmente por um grupo folclórico denominado “Angoleiros da Feira”, coordenado pelo Mestre Muritiba. Curiosamente, este grupo em suas apresentações, não exibia somente a capoeira, mas também, o maculelê, o samba de roda, o bumba-meu-boi e o “segura-véia”, principal atração de suas apresentações.
Com as exibições públicas da capoeira, surgiram novos interessados ampliando assim o numero de capoeiras na cidade e por conseqüência surgiam também outros espaços para a sua prática, a exemplo dos quintais e terreiros de residência dos capoeiristas. As escolas (espaços fechados com dias determinados para aprendizagem) de capoeira surgiram apenas na década de 1980, até então a prática da capoeira se realizava predominantemente nos recintos particulares de seus praticantes, nas praças públicas e festas de largo. Neste período, os capoeiras passam a realizar semanalmente rodas de capoeira no Mercado de Artes Popular, localizado no centro comercial da cidade, tornando-se a principal referência da capoeira em Feira de Santana, naquele período.
A relação da capoeira com os festejos populares em Feira de Santana durante toda a década de 1970 e início dos anos 1980, era significativo e pode ser acompanhado pelas notícias de jornais que cobriam as festas, como foi o caso da Festa de Santana de 1972 noticiada pelo jornal Feira Hoje, em sua edição de 08 de janeiro daquele ano:

PREPARE SUA ROUPA NOVA, A FESTA DE SANTANA VAI COMEÇAR
Festas populares.
Muita coisa já consta da programação do Departamento: retretas pelas filarmônicas locais, exibições de capoeira, samba de roda, maculelê, bumba-meu-boi, burrinha e afoché.
A tradicional lavagem da Igreja contará com a presença de mais de 100 baianas, em trajes típicos, carroças e burricos enfeitados, além da bandinha e do trio elétrico.

A Festa de Santana, tinha tanto prestígio junto aos diferentes seguimentos da sociedade que competia, do ponto de vista significativo, apenas com o já extinto carnaval e a micareta que ainda hoje goza de grande pomposidade, sendo considerada uma das maiores festas populares do Brasil. A capoeira usufruía dos espaços de todas estas festas, mas nenhuma delas tão significativa quanto a Festa de Santana ou outras do calendário litúrgico da católica cidade de Feira de Santana, ou porque não dizer da sincrética, tendo em vista o caráter afro-católico da devoção do povo feirense e não ficaria fora dela o grupo folclórico do Mestre Muritiba.
Em 1974, por exemplo, a tradicional festa de Santa Bárbara foi festejada com significativa participação do grupo folclórico do Mestre Muritiba inclusive a apresentação da capoeira em meio às baianas, como se convencionou chamar as mulheres adeptas do candomblé que participavam da festa de Iansã, a rainha dos raios como bem denominou o jornal Feira Hoje em edição de 28 de novembro do citado ano: “Festa para a rainha dos raios – os barraqueiros do Mercado Municipal vão realizar, no dia 4 de dezembro, uma festa em louvor a Santa Bárbara, que no candomblé é conhecida como Iansã”. Não faltou para abrilhantar essa festa a “capoeira, samba de roda, desfile das filhas de santo dirigidas por seus chefes”.
Uma questão que merece destaque na capoeira que se era praticada no espaço das festas de largo, em especial as de cunho religioso como das padroeiras, é a relação da capoeira com o candomblé comum à realidade histórica da capoeira baiana de tempos que se passaram. Em Feira de Santana quem bem representava esse aspecto de trocas culturais do universo simbólico afro-brasileiro era o Mestre Muritiba. Figura inconfundível que dividia o seu cotidiano entre a guarda municipal, era ele um servidor público, e o trabalho da capoeira, confeccionando seus instrumentos e passando para seus discípulos os saberes encantadores dessa prática cultural de matrizes africanas que deles ainda hoje se tem vigência na grande cidade de Feira de Santana, a “Princesa do Sertão”.Hoje em Feira de Santana pode-se contar com diferentes espaços de prática da capoeira desde as atividades dos próprios grupos de capoeira até as formas de trabalho com capoeira na Universidade, a exemplo do currículo acadêmico de Educação Física e das atividades de oficinas culturais do Centro Universitário de Cultura e Arte da Universidade Estadual de Feira de Santana. Vale também destacar as atividades de caráter político-pedagógico desenvolvido através das Organizações Não-Governamentais (ONGs), como é o caso da experiência do “Projeto Capwyla: tempo de capoeirar”, chancelado pelo Instituto Maria Quitéria-IMAQ. Este é o caso, também, dos diferentes grupos de capoeira que já extrapolaram os limites do Estado da Bahia, a exemplo da “Associação de Capoeira Os Dois Antônios”, liderada pelo Mestre Antônio Gago e da “Escola de Capoeira Angoleiros do Sertão”, dirigida pelo Mestre Cláudio Costa e do Malungo Centro de Capoeira Angola, coordenado pelo contramestre Bel, apenas para citar uns poucos da grande comunidade da capoeira e de sua representação social e política na maior cidade do interior baiano.