quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Patrimônio cultural - Algumas reflexões

Em 15 de julho fez um ano o evento de tombamento da Capoeira como Patrimônio Cultural. O Portal FS, veículo on-line de comunicação de Feira de Santana, convidou o cordenador do Malungo Centro de Capoeira Angola para tecer algumas considerações. Segue na íntegra o pequeno ensaio , de autoria do mestre Bel, publicado por este órgão em 09/07/2009.

Capoeira e Patrimônio Cultural: algumas provocações a partir de dentro


Historicamente, as decisões políticas sobre as práticas culturais populares foram tomadas sem grandes consultas a seus agentes sociais, talvez o tombamento da capoeira como cultura imaterial brasileira, ocorrido em julho de 2008, seja uma das poucas experiências de “ampla” participação sobre as atribuições (reconhecimento?) de significados políticos a determinados aspectos da cultura popular.

Entretanto, as decisões (que decidem de fato!) ainda foram tomadas por um grupo muito seleto, explicitando assim o exercício de uma hierarquia de autoridade (política) no universo da capoeira.

Na condição de capoeirista de Feira de Santana - Bahia, portanto agente/objeto do processo de tombamento da capoeira como patrimônio cultural, venho através da presente reflexão fazer uma primeira provocação à sociedade, para que possamos juntos avaliar a política de implementação de ações públicas em favor da capoeira, no seu primeiro aniversário na condição de patrimônio cultural, oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro.

Esta reflexão também se caracteriza como um chamamento para os colegas capoeiras e simpatizantes a não apenas fiscalizar e avaliar, mas também apoiar as ações de fomento que porventura o Estado brasileiro desenvolva em torno da capoeira.

O registro da capoeira como patrimônio cultural foi votado no dia 15 de julho de 2008, em Salvador, capital da Bahia, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, conselho este constituído por 22 representantes de entidades e da sociedade civil, e que tem o poder de deliberar a respeito dos registros e tombamentos do patrimônio cultural brasileiro. O serimonial pôde ser acompanhado pela grande imprensa brasileira (jornais, televião, rádio, internete, etc).

O registro possibilita o desenvolvimento de medidas governamentais de suporte à comunidade da capoeira, a exemplo de um plano de previdência social para os velhos mestres da capoeiragem; programas de incentivo para o desenvolvimento de políticas pelos próprios grupos de capoeiras com o auxílio do Estado. Além disso, há, do ponto de vista de uma política estrutural para capoeira, a intenção do IPHAN, por conseqüência do tombamento, de criar um Centro Nacional de Referência da Capoeira. Aguardo tudo isto com muito entusiamo!

Entretanto, no contexto de seu reconhecimento, pouco espaço foi reservado na mídia para a exposição ou debate acerca da história da capoeira. Sequer foi possível conhecer, salvo de modo panorâmico, o percurso de luta que seus praticantes vivenciaram para atingir o tão aclamado reconhecimento da arte-luta como patrimônio cultural brasileiro.

A história da capoeira foi marcada por perseguições policiais, prisões, racismo e outras formas de controle social que os agentes dessa prática cultural experimentaram em sua relação com o Estado brasileiro – devemos lembrar que a capoeira era citada como crime no Código Penal Brasileiro de 1890. Caberia, então, entendermos os elementos que caracterizaram e contribuíram para a formação da capoeira como um símbolo diferente da identidade brasileira e a sua justificação como o mais recente bem cultural registrado pelo governo brasileiro como patrimônio nacional.

Essa experiência da capoeira e suas multifacetadas significações históricas e culturais lhe garantiu um lugar entre as manifestações registradas oficialmente como bens culturais brasileiros, ou seja, a capoeira é tombada como patrimônio da cultura imaterial do Brasil.

Tal ato pode ser considerado uma manobra política de grande envergadura para os novos delineamentos sócio-culturais da capoeira no Brasil e não simplesmente um registro oficial daquilo que a capoeira já consolidou pela sua própria experiência, a saber: sua evidência como patrimônio da cultura brasileira.

Todavia, considerando os projetos anteriores de políticas públicas de caráter repressivo e discriminatório do governo voltados para a capoeira (criminalização, folclorização e esportivização), cabe dizer que os capoeiras precisam estar atentos frente às conseqüências políticas do reconhecimento da sua arte-luta como patrimônio da cultura brasileira.

Nesse sentido, cabe a nós capoeiristas e simpatizantes fiscalizar, avaliar e apoiar irestritamente os prováveis programas de fomento da capoeira na perspectiva de seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Barsil. Assim, neste primeiro ano de experiência, desejamo-nos BOA SORTE!!!

À guisa de conclusão devo confessar que estas reflexões estão melhor elaboradas no livro Capoeira, identidade e gênero (Edufba, 2009), que tive a oportunidade de escrever junto com o capoeirista e histotiador Augusto Leal. Sugiro ao leitor a consulta do capítulo 2: “Capoeira e identidade nacional: de crime político a ptrimônio cultural do Brasil”. No mais, agradeço a paciência dos caros leitores!

A capoeira é o vôou do passarinho, bote da cobra coral…
Mestre Pastinha (1889-1981)

Dedico esta reflexão ao Mestre Virgílio de Ilhéus, por seus 65 anos de prática de capoeira.

Fonte: Portal FS - www.fsonline.com.br

domingo, 16 de agosto de 2009

Uma roda diferente – livro do Malungo é lançado na Bahia

A livraria Atlântica, do Boulevard Shopping de Feira de Santana, teve uma noite muito peculiar em 13 de agosto. Capoeira, identidade e gênero era lançado naquele momento. Livro escrito por Bel e Augusto Leal, coordenadores respectivos do Centro de Capoeira Angola, que funciona no Estado da Bahia e no Pará. O Evento pôde contar com representantes de diferentes segmentos da sociedade feirense. Instituições da imprensa, ONGs, Grupos de Capoeira, professores, artistas, médicos e advogados foram prestigiar o lançamento e poderão se deliciar com as narrativas que preenchem as páginas do livro com muitas histórias dos capoeiras e da capoeiragem no Brasil. O Malungo agradece a participação de todos.



Seguem alguns momentos do lançamento.















quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Lançamento fazendo "barulho" também no Pará...

Professor de Cametá lança livro na Bahia

Texto: Raphael Freire - Assessoria de Comunicação da UFPA

No próximo dia 13 de agosto, o professor Luiz Augusto Leal, do Campus de Cametá, lançará o livro “Capoeira, identidade e gênero: ensaios de história social da capoeira no Brasil” na cidade de Feira de Santana, na Bahia. A publicação é de coautoria do historiador baiano Bel Pires e será publicada pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA).
De acordo com os autores, o objetivo maior da obra é retirar a capoeira de um campo mitológico, marcado pela “folclorização”, para incorporá-la às questões maiores da formação da nacionalidade, da educação e da construção da identidade nacional. “A principal intenção é dissociar a temática da capoeira de abordagens conservadoras, na qual apenas seus aspectos de visibilidade imediata eram considerados (esportivização e educação física), e tratá-la como temática auxiliar de compreensão da história social do trabalho e da identidade negra no Brasil, conta Luis Augusto Leal, também capoeirista e membro do Malungo Centro de Capoeira Angola.
Um dos principais pontos do livro é quando os autores revelam como, na tríade carnaval, futebol e capoeira, símbolos da brasilidade desde meados do século XX, a capoeira será a última a ocupar esse status simbólico. Carlos Eugênio Soares, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), acredita que o tardio reconhecimento da capoeira se deu, principalmente, pela marginalização de seus praticantes. “O capoeira não tem lugar na galeria de heróis nacionais. Bêbado, vadio, mestiço, baderneiro, esse era o paradigma da escória urbana, pior que o preto africano ou que o índio puro”, afirma.
Entre os meses de setembro e novembro, a publicação será lançada em Salvador e Cametá.

In http://www3.ufpa.br/multicampi/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=353:professor-de-cameta-lanca-livro-na-bahia&catid=2:noticias

Repercussões do Lançamento do livro Malungo...

Professor Bel Pires lança livro Capoeira, identidade e gênero

Por Elsimar Pondé

O capoeirista e historiador feirense Josivaldo Pires de Oliveira, mais conhecido como Bel Pires, lança na próxima quinta-feira (13), a partir das 18h30, na Livraria Atlântica, no Shopping Boulevard, um novo livro sobre a história social da capoeira.
Autor de No tempo dos valentes: os capoeiras na Cidade da Bahia (Quarteto, 2005), a nova produção intitula-se Capoeira, identidade e gênero: ensaios sobre a história social da capoeira no Brasil, publicada pela Editora da Universidade Federal da Bahia - EDUFBA e escrita em parceria com o também capoeirista e historiador Luiz Augusto Pinheiro Leal, professor da Universidade Federal do Pará.
Bel Pires é colaborador do PORTAL FS onde mantém a coluna História vista de baixo, além disso, ele apresenta o quadro Outras Histórias, no programa Diário da Feira, na Rádio Povo AM, das 17 às 18 horas, todas as quartas-feiras. Bel também coordena o Malungo Centro de Capoeira Angola, entidade que desenvolve intercâmbio cultural com a cidade de Belém, capital paraense.Para saber mais sobre o Malungo Centro de Capoeira, acesse o endereço eletrônico: http://www.malungoangoleiro.blogspot.com/. Contatos com o professor Bel Pires podem ser feitos pelo e-mail: belpires1@ig.com.br.

In http://www.fsonline.com.br/lermateria.asp?id=20254&autor=43

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Capoeira, Identidade e Gênero - novo lançamento do Malungo!

O lançamento do novo livro do Malungo ocorrerá na Livraria Atlântica, no Boulevard Shopping em Feira de Santana-BA, nesta quinta-feira (13/08), a partir das 18:30h. Será um discontraído encontro com amigos, artistas, intelectuais e agentes do brinquedo para conversar sobre cultura, literatura, história e a experiência da capoeira no Brasil.
Estejam todos convidados para este momento!