quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O Malungo em Cachoeira - história, literatura e muita vadiagem...

Entre os dias 16 e 18 de dezembro, foi realizado na Cidade Histórica de Cachoeira (BA), no campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia-UFRB, o I Encontro do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros do Recôncavo da Bahia. Na oportunidade ocorreu mais um lançado do livro Capoeira, identidade e gênero. Desta vez o malungo Algusto leal não pode comparecer, por conta de suas atividades em Belém e Cametá (PA). O lançamento foi abrilhantado com uma bela vadiagem de angola. O Malungo Centro de Capoeira Angola, foi representado pelo Mestre Bel, Rok Rio, Cabelo de Fogo e Espirro, membros do núcleo da Bahia. O Evento foi coordenado por Antônio Liberac, professor da UFRB e um dos grandes especialistas da história da capoera no Brasil. Seguem alguns momentos do lançamento.


Liberac canta ao som do berimbau que o mestre toca...


Liberac é seduzido pelo tambor...


Mestre Bel entre Patrícia e Serginho, simpatizantes do Malungo e professores da UFRB

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

LANÇAMENTO EM SALVADOR!


LANÇAMENTO: Capoeira, Identidade e Gênero: Ensaios sobre a história social da Capoeira no Brasil, de Josivaldo Pires de Oliveira e Luiz Augusto Pinheiro Leal
Da autoria conjunta de Josivaldo Pires de Oliveira e Luiz Augusto Pinheiro Leal, o livro Capoeira, Identidade e Gênero: Ensaios sobre a história social da Capoeira no Brasil, será lançado pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA) em evento no dia 04 de dezembro (sexta-feira), às 18 horas, na Biblioteca Central da UFBA. Na ocasião o livro será vendido a R$ 25,00.
"A capoeira deixou os pés de página dos compêndios mais importantes da história nacional para adquirir vida própria, tornando-se ela mesma tema de volumosos trabalhos, que desvelam planos e horizontes antes absolutamente desconhecidos da nossa historiografia. Este trabalho faz parte desta nova safra.
O objetivo maior da obra não deixa de ser original. Retirar a capoeira de certo nicho, reduto marcado pelo exotismo, para incorporá-lo às questões maiores da formação da nacionalidade, da educação, da construção da identidade nacional. Assim, a capoeira finalmente torna-se parte integrante da história do país, da sua face, da sua gênese, faceta antes percebida, mas nunca explicitada." Eugênio Soares

SERVIÇO

O Quê: Lançamento do livro: Capoeira, Identidade e Gênero: Ensaios sobre a história social da Capoeira no Brasil, da autoria de Josivaldo Pires de Oliveira e Luiz Augusto Pinheiro Leal
Quando: 04 de dezembro de 2009, às 18 horas
Onde: Biblioteca Central da UFBA, Rua Barão de Jeremoabo, s/n, Campus de Ondina, Salvador – BA
Valor: R$ 30,00
Valor de Lançamento: R$ 25,00

PARABÉNS MESTRE BEL!


Bel vadiando em Belém, no II Brinquedo dos Angolas.
Foto: Adilson Leal

O Malungo Centro de Capoeira Angola de Belém saúda o nosso Mestre Bel por mais este ano de vida. Desejamos muito sucesso em seus projetos de vida e de capoeiragem. Parabéns, mano velho!

domingo, 22 de novembro de 2009

Besouro Mangangá, o capoeira: notas sobre uma etnografia áudio-visual

Depois de muito assédio por parte da grande mídia acerca do filme "Besouro, nasce um herói", do diretor João Daniel Tickomiroff, que será lançado em outubro, finalmente fui convencido a escrever sobre.
Para decepção ou não dos leitores do PORTAL FS, não escreverei sobre o "Besouro" hollywoodiano e sim sobre a bela etnografia áudio-visual produzida pelo capoeirista baiano Pedro Abib, que revela memórias sobre um capoeirista Besouro mais próximo de nossa realidade.
A capoeira no Brasil tem sido objeto de investigação desde o século XIX. Inicialmente foi subjugada à pena dos literatos e folcloristas, a exemplo de Plácido Abreu e Melo Moraes Filho, responsáveis por belas descrições da capoeiragem carioca no século XIX.
Na Bahia, a chamada etnografia africanista deu os primeiros passos para a especulação do universo da capoeira nas ruas da capital, com Manuel Querino e Edison Carneiro, nas primeiras décadas do século XX. A partir dos anos 1950 a linguagem etnográfica começou a ganhar outros rumos no que diz respeito ao registro das práticas de capoeira. Este era o caso dos vídeos-documentários, destaca-se a primazia, para o caso da Bahia, de obras como "Vadiação" (1953) e "O Galo já Cantou" (1962).
Neste período os programas de pós-graduação responsáveis por uma boa parte da produção da literatura histórica e sócio-antropológica sobre a capoeira no Brasil, ainda não tinha se iniciado. Hoje se pode contar com um conjunto considerável de produção nas áreas de história, antropologia, sociologia, Educação Física, etc. Entretanto, ainda continua somando à literatura da capoeira, com certa magnitude e estrelismo, a linguagem áudio-visual com o poder imagética da etnografia vídeo-documentada.
Em termos de exemplo merece destaque "Memórias do Recôncavo: Besouro e outros capoeiras" (2008), do capoeirista, músico e professor do Departamento de Educação da UFBA, Pedro Jungle Abib.
Pedro Abib, é capoeirista, aluno do Mestre João Pequeno de Pastinha. Doutor em Ciências Sociais Aplicadas à Educação pela Universidade Estadual de Campinas-SP, já dirigiu outros vídeos-documentários a exemplo de "Batatinha e o Samba Oculto da Bahia" (2007), premiado com dois "Tatu de Ouro" na 34ª Jornada Internacional de Cinema da Bahia - 2007 (melhor Documentário e melhor Vídeo da Jornada) e Menção Honrosa no Festival de Cinema Atlantidoc – Montevideo – Uruguai – 2007; "Divino Espírito Popular" (2006 ) selecionado para a Jornada Internacional de Cinema da Bahia -2006 e convidado para o Festival de Cinema Africano em Tarifa (Espanha) – 2006; "O Velho Capoeirista: Mestre João Pequeno de Pastinha" (1999) Prêmio Melhor Documentário no Festival de Artes da UNICAMP – 2002.
"Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras", foi estreado como parte da programação da 35 Jornada Internacional de Cinema da Bahia, em setembro de 2008. A obra trata de Besouro Mangangá, o valente capoeira que se tornou um dos grandes mitos populares da história da capoeira baiana.
O Documentário foi contemplado pelo edital Capoeira Viva – 2006 do Ministério da Cultura do Governo Federal, aborda a experiência dos capoeiras no Recôncavo Baiano, conseguindo alcançar décadas remotas do século XX, período que viveu muitos capoeiras como o lendário Besouro Mangangá.
A partir de depoimentos de antigos capoeiras que ainda moram na região de Santo Amaro da Purificação-BA, assim como a consulta da bibliografia básica sobre capoeira na Bahia, Pedro Abib, conseguiu reconstituir parte importante da memória sobre fatos e personagens envolvidos com esta manifestação da cultura afro-brasileira, trazendo ainda um rico acervo de imagens de arquivo.
Por muito tempo acreditou-se que as histórias de Besouro não passavam de lendas, invenções da ficção popular que ganhou grandes proporções na memória da capoeira. Pesquisas recentes recuperaram importantes documentos que põe por terra a idéia de que Besouro era uma simples lenda.
Os trabalhos de Antônio Liberac Pires, professor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano assim como de José Gerardo Vasconcelos, professor da Universidade Federal do Ceará, revelam fontes históricas fidedignas sobre a existência do capoeira Besouro Mangangá, ou Besouro de Santo Amaro, como era também conhecido.
A etnografia vídeo-documentada de Pedro Abib, vem somar com muita competência e lucidez aos trabalhos de outros pesquisadores na busca de revelar os segredos guardados nos esconderijos de nossa história, e no caso em questão revelados por uma memória afro-brasileira que não deve se calar.
Besouro não se calou! "Memórias do Recôncavo" é a prova disto. Espera-se que a obra de Pedro Abib, funcione como estímulo para a produção sobre a experiência de outros personagens da cultura popular baiana e seus segredos que ainda estão guardados nos esconderijos de nossa história.

Este ensaio foi publicado em 10 de setembro de 2009 no Portal FS, disponível em www.fsonline.com.br

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mestre Virgílio e a Roda da Paz - muito brinquedo no Sul da Bahia

O Malungo repassa aos companheiros de viagem, o convite do Mestre Virgílio de Ilhéus. Não percam este Evento:


A Associação de Capoeira Angola Mucumbo –A.C.A.M - convida a tod@s para o 8º Encontro de Capoeira Angola– Roda da Paz 2009.
A Roda da Paz é um evento organizado pelo Mestre Virgílio de Ilhéus e que já virou tradição como forma maior de expressão da capoeira angola na cidade de Ilhéus
Este ano durante os dias 05 e 06/12/2009 o evento contará com oficinas de capoeira angola com os Mestres: Jogo de Dentro (Grupo Semente do Jogo de Angola – BA), Plínio (Angoleiro Sim Sinhô – SP) e Bel ( Malungo Centro de Capoeira Angola – BA), e rodas abertas na praça de Olivença e na praça da Catedral de Ilhéus.
Para o Mestre Virgílio, a Roda da Paz é um símbolo de união, reflexão e agradecimento: “Será um grande momento de confraternização para a capoeira angola de Ilhéus.”

PROGRAMAÇÃO: (ATENÇÃO VAGAS LIMITADAS!!)
Sábado 05/12:
08:00 as 10:00h - Inscrições e credenciamento
10:00 as 12:00h – Oficina de Movimentos
12:00 as 15:00h - Intervalo
15:00 as 17:00h– Oficina de Movimentos
19:00 – Roda na Praça de Olivença
Domingo 06/12:
10:00 as 12:00 – Oficina de Movimentos
19:00 – Roda da Paz 2009 – Praça da Catedral

Valores:
Uma Oficina = R$20,00
Duas Oficinas = R$30,00
Três Oficinas = R$45,00 + Camisa do Evento

Para mais informações e inscrições: www.mucumbo.blogspot.com ou capoeiramucumbo@yahoo.com.br

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Malungo está de luto. Morreu o grande mestre do carimbó

Foto: Augusto Leal



“O carimbó não morreu
Está de volta outra vez
O carimbó nunca morre
quem canta o carimbó sou eu".

Mestre Verequete

Hoje, o Pará perdeu mais um ícone da cultura popular, o verdadeiro rei do carimbó. Augusto Gomes Rodrigues, Mestre Verequete, estava internado no Hospital Universitário Barros Barreto desde o dia 29 de outubro.
No domingo, deu entrada no Centro de Terapia Intensiva (CTI), com complicações respiratórias decorrentes de um enfisema pulmonar.
Há alguns dias os jornais vinham noticiando o estado grave de Mestre Verequete. Foram seis dias de agonia, com ele hopitalizado. No início da tarde desta terça-feira, 03, as batidas dos tambores silenciaram e a notícia se espalhou rápida e tristemente.
Aos 93 anos, Verequete era um símbolo de resistência. Há anos vinha lutando contra a saúde frágil. Mas, sempre que era chamado para participações em shows se esforçava para cantar e brigava quando alguém tentava lhe tirar o microfone das mãos. Ele só queria continuar cantando e recebendo o calor dos aplausos de seu público.
Nosso rei nasceu em 1926, na localidade de “Careca”, próximo à Vila de Quatipuru, em Bragança, mas ainda criança, assim que perdeu a mãe, Maximiana Gomes Rodrigues, mudou-se com o pai, Antônio José Rodrigues, para o município de Ourém.
Precoce, aos 12 anos, resolveu morar, sozinho, em Capanema, onde trabalhou como foguista. Nos anos 40, veio para Belém. Morou primeiro em Icoaraci. O apelido, “Verequete” aconteceu por acaso.
Num relato à atriz e diretora de teatro Karine Jansen ele explicou: “Uma moça que eu gostava me levou num batuque. Uma certa hora da madrugada, o Pai de Santo cantou ‘Chama Verequete’. Cheguei no trabalho contando aos colegas o fato. Quando acabei de contar, me chamaram de Verequete. E assim ficou”. Disso, saiu a composição que se tornou uma das mais populares da carreira do mestre… “Chama Verequete”.
Em vida recebeu inúmeras homenagens e foi tema do documentário “Chama Vererquete”, dos diretores Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira. O filme, de 15 min., foi produzido com a primeira edição do Edital de Incentivo à produção de Curta Metragem (hoje, extinto), na gestão de Edmilson Rodrigues, então prefeito de Belém e um apaixonado pelo carimbó e particularmente pela obra de Mestre Verequete.
Outra grande homenagem é a coleção composta por uma caixa que inclui, além do curta-metragem, o CD “Verequete é o Rei” e o livro “Som dos Tambores”, numa realização da Associação Amazônica de Difusão Cultural, Social e Ambiental, com patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).
Mas o reconhecimento, que veio tardio, não lhe trouxe a saúde de volta. Durante sua trajetória, Mestre Verequete jamais viveu somente de seu trabalho como artista. Para sobreviver, muitas vezes, ele teve que vender churrasquinho na porta de sua casa, na periferia de Belém.
Agora, já em outro universo, ele receberá mais e mais homenagens. Sua imagem de homem simples, chapéu na cabeça, sempre, além de sua voz firme e um olhar encantador e profundo, vai ficar para sempre na memória do paraense.
O velório será no Theatro da Paz, a partir do final da tarde."

Postado por Luciana Medeiros (In: http://www.holofotevirtual.blogspot.com/)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

II Brinquedo dos Angolas no Pará

O “Brinquedo dos angolas” consiste na denominação que era dada à capoeira baiana no final do século XIX. Sua utilização aqui visa retratar suas múltiplas facetas sociais que a prática adquiriu ao longo das últimas décadas e em seus diversos lugares de manifestação. No Pará, o “brinquedo” da capoeira esteve vinculado ao boi-bumbá, tal como foi associado ao frevo, em Recife. O “I Brinquedo dos angolas” ocorreu em Feira de Santana-Ba, como evento de formação dos novos membros do Malungo Centro de Capoeira Angola, em dezembro do ano passado. Este encontro, além de ter o mesmo objetivo de formação, visa celebrar as novas perspectivas sócio-culturais que temos conquistado para a capoeira no Brasil. Sejam todos bem vindos!

Programação

23 (sex) – 18:30h – Lançamento na Casa da Linguagem / Roda de abertura do Brinquedo dos Angolas
24 (sáb) – 16h – Oficina de formação no Barreiro
25 (dom) – 15h – Reunião com os mestres de Belém
27 (ter) – 18h - Oficina de formação no Barreiro
29 (qui) – 16h – Mesa redonda no encontro de Cametá
31 (sáb) – 16h – Roda no Barreiro (entrega de carteirinhas)
01.nov (dom) – Roda de despedida na praça da República, com os mestres de Belém

Mestre Bel volta ao Pará!



A partir do dia 23 de outubro, mestre Bel estará em Belém para participar do "Brinquedo dos Angolas", evento tradicional do Malungo Centro de Capoeira Angola, que visa reunir a comunidade capoeiral em torno da prática e discussão sobre os significados da capoeira na sociedade brasileira. Sua última passagem por Belém foi em 2006, quando lançou seu livro "No tempo dos valentes" e estruturou o Malungo Centro de Capoeira Angola em Belém e pode vadiar com diversos camaradas na praça central da cidade: a praça da República. A vadiagem voltará a ocorrer até o dia 01 de novembro (domingo), dia de seu retorno para a Bahia.


Seja bem vindo ao Pará, mestre Bel!

Fotos: Carlos Leal



Lançamento em Belém e Cametá-PA


Capoeira, identidade e gênero: ensaios sobre a história social da capoeira no Brasil trata do processo de (re)invenção e afirmação das identidades produzidas na dinâmica da cultura afro-brasileira, com especial atenção para a experiência histórica da capoeira e sua relação com diferentes contextos vivenciados na sociedade brasileira. O livro é composto por 9 ensaios, divididos em 3 partes temáticas distintas. Na primeira parte do livro, intitulada: Capoeira, história e identidade, a capoeira é situada na produção da historiografia brasileira, nos manuais didáticos de história, assim como no debate político-ideológico que definia a sua participação, como prática simbólica afro-brasileira, no “projeto” de formação da identidade nacional. Na segunda parte, Personagens da capoeira na literatura brasileira, narrativas literárias são analisadas como registros das diferentes experiências sócio-culturais dos capoeiras tanto na Bahia quanto no Pará, através da produção romanesca da literatura brasileira. A terceira e última parte do livro – Gênero, cultura e capoeiragem – trata da experiência de mulheres no universo da capoeiragem, problematizando as possibilidades de pesquisas mais aprofundadas sobre este tema que tem custado tão caro à historiografia da capoeira no Brasil. Nesta parte do livro, é também apresentada para o leitor uma outra possibilidade de leitura da capoeira, a partir do discurso imagético de Gabriel Ferreira, artista plástico baiano que tem se destacado pela mágica de seus pincéis, ao dar movimento ao jogo da capoeira sobre as telas de madeira e algodão.
A reunião destes ensaios, visa demonstrar a importância da história da capoeira para a compreensão da história do Brasil. Além disso, permite uma reflexão acerca dos procedimentos metodológicos, domínios temáticos e crítica à documentação que devem estar voltados para qualquer pesquisa que venha a ser feita sobre a capoeira. Politicamente, os recortes em torno da identidade nacional, educação, historiografia, literatura, gênero e arte visam permitir ao leitor, de qualquer nível de formação e interesse, compreender o alcance da prática da capoeira na sociedade brasileira.

Retirar a capoeira de certo nicho, reduto marcado pelo exotismo, pela “folclorização” (com todo respeito pelos trabalhos de folclore) e de um campo mitológico empolgante, mas igualmente isolado e estigmatizado, para incorporá-la às questões maiores da formação da nacionalidade, da educação, da construção da identidade nacional. Assim, (...) a capoeira finalmente se torna parte integrante da história do país, da sua face, da sua gênese, faceta antes percebida, mas nunca explicitada.

Do prefácio de Carlos Eugênio Líbano Soares
Universidade Federal da Bahia

EM BELÉM:
O quê: Lançamento do livro Capoeira, identidade e gênero: ensaios sobre a história social da capoeira no Brasil, escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal e Josivaldo Pires de Oliveira.
Quando: 23 de outubro, sexta-feira.
Onde: Auditório da Casa da Linguagem – Avenida Nazaré, próximo à Praça da República.
Horário: 18:30 horas


EM CAMETÁ:

O quê: Lançamento do livro Capoeira, identidade e gênero: ensaios sobre a história social da capoeira no Brasil, escrito por Luiz Augusto Pinheiro Leal e Josivaldo Pires de Oliveira.
Quando: 29 de outubro, quinta-feira.
Onde: Universidade Federal do Pará - Campus Universitário de Cametá
Horário: 18:30 horas

Malungos visitam águas Lindas, em Ananindeua-PA


No dia 15 de outubro, os malungos Augusto Leal e Douglas Miranda estiveram apresentando o projeto Malungo no bairro de Águas Lindas, em Ananindeua. A comunidade se fez presente e demonstrou bastante interesse de que uma extensão do nosso projeto fosse implantada naquele bairro. Possivelmente faremos isso ainda este mês, por ocasião da visita do mestre Bel ao Pará.

Novo horário do Malungo no Barreiro, em Belém


As atividades do Malungo Centro de Capoeira Angola, que se desenvolvem em Belém, estão ocorrendo agora nas terças (18h) e sábados (16h), no Salão da Comunidade Senhora do Rosário que fica na passagem Grão-Pará, s/n, no bairro do Barreiro, sob a responsabilidade do treinel Augusto Leal. O acesso pode ser feito tanto pela Passagem São José como pela Passagem Hermínia, para quem vem pela Pedro Álvares Cabral. A referência de descida é o IT Center, pois a parada de acesso fica atrás deste estabelecimento. No caso de dúvidas, escreva para o email sou.amazonia@gmail.com

Seja bem vind@!








terça-feira, 29 de setembro de 2009

Jerônima, Pé de Anjo e o VI Capoeira Mulher



O Malungo Centro de Capoeira Angola participou do 2º dia do VI Encontro Capoeira Mulher e pode comentar sobre a importância do novo trabalho (CAPOEIRA, IDENTIDADE E GÊNERO) que estará sendo lançado em Belém, no dia 23 de outubro, para o aprofundamento das ações femininas dentro da capoeira. Lembrando que é no Pará que o registro mais antigo da presença feminina na capoeira aparece (Jerônima, em 1876), a palestra de Augusto Leal revisitou a temática da presença da mulher na capoeira até a atuação da saudosa Sílvia Leão - Pé de Anjo, que partiu ainda nas primeiras versões do Capoeira Mulher, mas que foi uma das principais precursoras do movimento.
Por ocasião do evento houve um pré-lançamento do novo livro e apresentação do mesmo para a comunidade paraense. A palestra de aprofundamento do conteúdo será feita por ocasião do lançamento do dia 23, com a presença dos dois autores.
Parabéns a todas às organizadoras e participantes do Capoeira mulher deste ano.
Viva a mulher capoeira!




Fotos: Marzane Souza e Augusto Leal

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

VI ENCONTRO CAPOEIRA MULHER



Ainda no "Sete de setembro", o Malungo Centro de Capoeira Angola foi convidado para participar do VI Encontro Capoeira Mulher que se realizará em Belém entre os dias 18 e 20 de setembro. Estivemos na roda de divulgação e, na ocasião, além de anunciar o pré-lançamento do livro por ocasião do evento, ainda foi possivel lembrar que o novo livro possui capítulos e discussões sobre a história da mulher na capoeira e que sua contrução acompanha o Movimento Capoeira Mulher desde o seu primeiro encontro. Por isso, o livro foi dedicado também à memória da capoeirista Silvia Leão - Pé de Anjo, precursora do Movimento e falecida à alguns anos.

Desse modo o Malungo Centro de Capoeira Angola saúda a importante iniciativa: Viva a mulher capoeira! Viva Sílvia Pé de Anjo!

A PÁTRIA DO CAPOEIRAS - O Malungo no "Sete de setembro"


Na última segunda-feira ocorreu no Brasil inteiro mais uma comemoração do "Sete de setembro", referente ao dia da Pátria, que comumente é marcado por desfile de militares e exibições da força bélica brasileira. Além dos desfiles, pouco se reflete, na imprensa, sobre os significados de cidadania, justiça e identidade entre os próprios brasileiros. Conforme os moldes consagrados pelos militares da primeira República, a pátria se confunde com as forças armadas. Contudo, quem disse que o discurso midiático conservador é partilhado por todo mundo? Além do importante movimento intitulado "Grito dos excluídos", que se manifesta para relembrar as injustiças na sociedade brasileira, outros grupos populares também se manifestaram através da vivência de seu modo próprio de comemoração. Nesse caso, destacamos aqui a nossa comunidade "capoeiral" do Norte do Brasil.
Já é tradição em Belém do Pará que diversas rodas de capoeira sejam constituidas no dia "Sete de setembro". Nesta segunda-feira, havia cerca de 7 rodas ocorrendo ao mesmo tempo. O Malungo, que já esteve presente em anos anteriores, foi convidado a participar da roda organizada pelos mestres Laíca e Silvério. Estiveram presentes Augusto Leal e Douglas. A brincadeira foi bonita e na ocasião foi possivel encontrar velhos camaradas como os mestres Bezerra e Fernando Banjo, de Macapá. Foi anunciado o lançamento do livro CAPOEIRA, IDENTIDADE E GÊNERO, em Belém e Cametá. Inclusive havendo a primeira aquisição de um exemplar por parte do professor Faquinha, que acompanha os estudos sobre a capoeira no Brasil e já participou dos vários lançamentos d'A POLÍTICA DA CAPOEIRAGEM. Para Faquinha, nós capoeiras, devemos ser os primeiros a valorizar a nossa história e cultura, senão vamos continuar sempre sendo tratados como agentes culturais sem valor na sociedade brasileira.

EXPLICAÇÃO HISTÓRICA
A presença de capoeiras no "Sete de setembro", longe de significar uma concordância com o discurso militar e midiático sobre a pátria brasileira, corresponde a uma reapropriação do espaço que a eles sempre foi negado. No passado, quando os capoeiras ainda não podiam construir seus próprios intrumentos de marcação ritmica para seus jogos, era o acompanhamento de bandas marciais que garantia a alegria de nossos ancestrais. Em Belém, tal como no Rio e Salvador, esses fatos foram abundantemente denunciados pela elite, através da imprensa de época. Acompanhar as bandas, funcionava como momento de lazer, em alguns casos, ou rito de iniciação dos "caxinguelês" (meninos capoeiras), em outros. De todo modo, os capoeiras sempre estiveram fazendo sua própria festa paralelamente, e não em conjunto, com os festejos militares ou religiosos.
Em Belém, o "Sete de setembro" se caracterizava até o ano passado pelo disfile militar por uma importante avenida paralela à praça da República. Os capoeiras, ao invés de seguirem ou assitirem os desfiles, sempre se voltaram para o espaço interno da própria praça para realizar suas rodas. Este ano o defile militar foi transferido para outro lugar - a Aldeia Cabana -, mas quem disse que os capoeiras acompanharam a mudança? As rodas permaneceram na praça da República e com mais alegria ainda, pois não houve mais disputa por espaço, tal como ocorria nos anos anteriores. O grito do "iê" agora poderia ser acompanhado por um "viva a pátria", mas, não a dos opressores. Agora seria a vez da pátria dos capoeiras.

domingo, 6 de setembro de 2009

O Malungo visita perceiros de vadiagem

O brinquedo da capoeira quando começa, não tem realmente hora para terminar. Foi desta forma que ocorreu na Associação de Capoeira Oásis na última sexta-feira (dia 04), quando o Malungo surpreendeu a Escola de Capoeira do colega Contrmestre Rone Rasta (detalhe) em Feira de Santana. Do Malungo estiveram lá: Bel, Rios Vibration e Cabelo de Fogo. Seguem alguns momentos desta brincadeira.





terça-feira, 1 de setembro de 2009

O poder da cultura popular em Feira de Santana

No último dia 30 de agosto uma das principais avenidas de Feira de Santana, a Avenida Getúlio Vargas, vibrou com as cores, vozes e movimento da cultura popular. Ralizava-se a 10ª Caminhada do Folclore. Organizado pelo Centro Universitário de Cultura e Arte da Universidade Estadual de Feira de Santana-UEFS, a Caminhada do Folclore tem representado um dos mais importantes eventos do gênero que tem ocorrido na Bahia nos últimos dez anos. Independente da consepção que tem a Universidade acerca da cultura popular e do próprio evento em questão, é extraordinário o que acontece na Avenida. São mais de uma centena de grupos representando diferentes expressões da cultura imaterial brasileira. Obviamente, o termo “Folclore” é insuficiente para identificar a diversidade de manifestações, pois encomntram-se desde samba-de-roda, capoeira e bumba-meu-boi até blocos afros e afoxés, bandas de Filarmônicas, representação simbólica dos candomblés e diferentes símbolos da cultura popular sertaneja, a exemplo dos cangaceiros cantadores de Repente e outros mestres da viola. Esses grupos estavam na Avenida, não simplesmente atendendo uma solicitação da Universidade. Essa instituição foi feliz na idealização do evento, mas cada grupo gritava cada um a sua forma por política pública de fomento. E é este também o grito do Malungo Centro de Capoeira Angola, parabenizando a UEFS ao tempo que se solidariza com estes grupos da cultura popular na busca de maiores condições políticas para a perpetuação de suas práticas. Seguem alguns momentos que levaram brilho à Avenida na Caminhada do Folclore.


Bumba-meu-boi de Serrinha


O corpo que fala na dança do Orixá


O "Rasta", figura folclórica de Feira de Santana


A força do samba rural


A religião de tradição africana é lembrada na Avenida


Asa Filho e sua viola


Rios Vibration e Neto de Gandy


Oriquerê - Angoleiros do Sertão e Bel - Malungo


Alagoinhas e a força de sua cultura


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Patrimônio cultural - Algumas reflexões

Em 15 de julho fez um ano o evento de tombamento da Capoeira como Patrimônio Cultural. O Portal FS, veículo on-line de comunicação de Feira de Santana, convidou o cordenador do Malungo Centro de Capoeira Angola para tecer algumas considerações. Segue na íntegra o pequeno ensaio , de autoria do mestre Bel, publicado por este órgão em 09/07/2009.

Capoeira e Patrimônio Cultural: algumas provocações a partir de dentro


Historicamente, as decisões políticas sobre as práticas culturais populares foram tomadas sem grandes consultas a seus agentes sociais, talvez o tombamento da capoeira como cultura imaterial brasileira, ocorrido em julho de 2008, seja uma das poucas experiências de “ampla” participação sobre as atribuições (reconhecimento?) de significados políticos a determinados aspectos da cultura popular.

Entretanto, as decisões (que decidem de fato!) ainda foram tomadas por um grupo muito seleto, explicitando assim o exercício de uma hierarquia de autoridade (política) no universo da capoeira.

Na condição de capoeirista de Feira de Santana - Bahia, portanto agente/objeto do processo de tombamento da capoeira como patrimônio cultural, venho através da presente reflexão fazer uma primeira provocação à sociedade, para que possamos juntos avaliar a política de implementação de ações públicas em favor da capoeira, no seu primeiro aniversário na condição de patrimônio cultural, oficialmente reconhecida pelo Estado brasileiro.

Esta reflexão também se caracteriza como um chamamento para os colegas capoeiras e simpatizantes a não apenas fiscalizar e avaliar, mas também apoiar as ações de fomento que porventura o Estado brasileiro desenvolva em torno da capoeira.

O registro da capoeira como patrimônio cultural foi votado no dia 15 de julho de 2008, em Salvador, capital da Bahia, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, conselho este constituído por 22 representantes de entidades e da sociedade civil, e que tem o poder de deliberar a respeito dos registros e tombamentos do patrimônio cultural brasileiro. O serimonial pôde ser acompanhado pela grande imprensa brasileira (jornais, televião, rádio, internete, etc).

O registro possibilita o desenvolvimento de medidas governamentais de suporte à comunidade da capoeira, a exemplo de um plano de previdência social para os velhos mestres da capoeiragem; programas de incentivo para o desenvolvimento de políticas pelos próprios grupos de capoeiras com o auxílio do Estado. Além disso, há, do ponto de vista de uma política estrutural para capoeira, a intenção do IPHAN, por conseqüência do tombamento, de criar um Centro Nacional de Referência da Capoeira. Aguardo tudo isto com muito entusiamo!

Entretanto, no contexto de seu reconhecimento, pouco espaço foi reservado na mídia para a exposição ou debate acerca da história da capoeira. Sequer foi possível conhecer, salvo de modo panorâmico, o percurso de luta que seus praticantes vivenciaram para atingir o tão aclamado reconhecimento da arte-luta como patrimônio cultural brasileiro.

A história da capoeira foi marcada por perseguições policiais, prisões, racismo e outras formas de controle social que os agentes dessa prática cultural experimentaram em sua relação com o Estado brasileiro – devemos lembrar que a capoeira era citada como crime no Código Penal Brasileiro de 1890. Caberia, então, entendermos os elementos que caracterizaram e contribuíram para a formação da capoeira como um símbolo diferente da identidade brasileira e a sua justificação como o mais recente bem cultural registrado pelo governo brasileiro como patrimônio nacional.

Essa experiência da capoeira e suas multifacetadas significações históricas e culturais lhe garantiu um lugar entre as manifestações registradas oficialmente como bens culturais brasileiros, ou seja, a capoeira é tombada como patrimônio da cultura imaterial do Brasil.

Tal ato pode ser considerado uma manobra política de grande envergadura para os novos delineamentos sócio-culturais da capoeira no Brasil e não simplesmente um registro oficial daquilo que a capoeira já consolidou pela sua própria experiência, a saber: sua evidência como patrimônio da cultura brasileira.

Todavia, considerando os projetos anteriores de políticas públicas de caráter repressivo e discriminatório do governo voltados para a capoeira (criminalização, folclorização e esportivização), cabe dizer que os capoeiras precisam estar atentos frente às conseqüências políticas do reconhecimento da sua arte-luta como patrimônio da cultura brasileira.

Nesse sentido, cabe a nós capoeiristas e simpatizantes fiscalizar, avaliar e apoiar irestritamente os prováveis programas de fomento da capoeira na perspectiva de seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Barsil. Assim, neste primeiro ano de experiência, desejamo-nos BOA SORTE!!!

À guisa de conclusão devo confessar que estas reflexões estão melhor elaboradas no livro Capoeira, identidade e gênero (Edufba, 2009), que tive a oportunidade de escrever junto com o capoeirista e histotiador Augusto Leal. Sugiro ao leitor a consulta do capítulo 2: “Capoeira e identidade nacional: de crime político a ptrimônio cultural do Brasil”. No mais, agradeço a paciência dos caros leitores!

A capoeira é o vôou do passarinho, bote da cobra coral…
Mestre Pastinha (1889-1981)

Dedico esta reflexão ao Mestre Virgílio de Ilhéus, por seus 65 anos de prática de capoeira.

Fonte: Portal FS - www.fsonline.com.br

domingo, 16 de agosto de 2009

Uma roda diferente – livro do Malungo é lançado na Bahia

A livraria Atlântica, do Boulevard Shopping de Feira de Santana, teve uma noite muito peculiar em 13 de agosto. Capoeira, identidade e gênero era lançado naquele momento. Livro escrito por Bel e Augusto Leal, coordenadores respectivos do Centro de Capoeira Angola, que funciona no Estado da Bahia e no Pará. O Evento pôde contar com representantes de diferentes segmentos da sociedade feirense. Instituições da imprensa, ONGs, Grupos de Capoeira, professores, artistas, médicos e advogados foram prestigiar o lançamento e poderão se deliciar com as narrativas que preenchem as páginas do livro com muitas histórias dos capoeiras e da capoeiragem no Brasil. O Malungo agradece a participação de todos.



Seguem alguns momentos do lançamento.