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MALUNGUINHA, A SOLIDÃO QUE INEXISTE..



Quando imaginamos um barco atracado na beira do rio, uma das várias sensações que a imagem nos transmite é a de solidão. O ambiente amazônico permite multiplicidades de leituras sobre a tal cena, mas essa fotografia, em particular, merece uma descrição pertinente ao seu significado.
Em um dos vários corações da Amazônia, nas águas do rio Tocantins, em Cametá, uma rabeta (como são chamadas as canoas motorizadas) aguarda seu piloto para navegar entre rios e correntes. A rabeta chama-se MALUNGUINHA e pertence a mãe de uma das integrantes do nosso grupo. Devidamente nomeada, a rabeta é uma companheira de muitas travessias e a referência feminina no nome revela a linha de diálogo entre mulheres de diferentes gerações, mas com consciência de coletividade. Não. Não é uma propriedade do Malungo. O Malungo é que foi coletivizado em seu significado. Longe de expressar solidão, a rabeta MALUNGUINHA representa travessias. Um dos princípios que marcam a vida dos malungos e malungas: angoleiros e angoleiras de travessias e reencontros.

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